2026. Acima de tudo, transformação, num ano desafiante, marcado por imprevisibilidade e rápidas mudanças no cenário global e que exige dinamismo de todos. Neste ambiente, a confiança será uma ferramenta decisiva para permitir o progresso e a evolução de Portugal. Para compreender os principais desafios e metas que Portugal enfrentará nos próximos meses, a Executive Digest ouviu vários líderes de empresas e instituições nacionais.
Nesse sentido, ficaremos a conhecer o que o Dean do ISEG antecipa para um ano que exige, com responsabilidade, decisão, execução, equilíbrios delicados, optimismo e esperança (com cheiro a pólvora) e ambição colectiva.
- Quais os maiores desafios e alterações que o seu sector e empresa, em particular, pode enfrentar em 2026?
- Que impacto terá o actual quadro geopolítico no seu sector?
- Alguma oportunidade que a sua empresa/ sector não pode perder em 2026?
- Uma palavra que possa definir 2026.
1. Sendo o meu setor o do ensino superior diria que o desafio mais importante é o da IA associado à demografia portuguesa e gestão de talento. Ainda não sabemos como devemos tratar o problema da IA na educação, em especial no ensino superior. Há um problema de partida que é o do reconhecimento do direito autoral nas ideias, nos textos e até nos processamentos dos documentos e ainda estamos para perceber qual vai ser o real impacto desta partilha de autorias com máquinas que não assumem responsabilidade, mas que parecem ser autores materiais de muito do output educativo. Em suma, como lidar com a IA como instrumento de trabalho e de aprendizagem. Deve acrescentar-se que, neste momento, a aprendizagem através de canais digitais está a ser posta em causa, quando, ao mesmo tempo, as gerações mais novas parecem privilegiar os meios digitais para contacto e aprendizagem. Desta dualidade surgirá um novo paradigma.
Ano após ano, assistimos à alteração muito substancial das regras que enquadram o trabalho que é desenvolvido por estes novos sistemas, pelo que estamos ainda num processo que diria quase revolucionário de alteração daquilo que é o processo tradicional de aprendizagem de desenvolvimento de investigação no ensino superior e de criação da própria ciência.
Em suma, aquilo que me parece é que vamos todos ter que aprender a aprender com IA, a trabalhar com IA e fazer ciência com IA, mas de uma maneira muito diferente daquilo que estamos habituados. E, portanto, vamos ter que saber resolver problemas tais como o da responsabilidade quando aparecer o erro, associado à autoria e responsabilidade final dos trabalhos.
2. Há nove meses, diria que o impacto da alteração do quadro geopolítico seria enorme, particularmente no ensino superior europeu, porque estávamos a assistir a uma grande tensão entre as universidades americanas e o poder político americano, do qual poderia resultar uma grande hemorragia de muitos académicos americanos de relevo. No fundo, uma migração de sentido contrário àquela que se verificou durante a Segunda Guerra Mundial, quando os EUA beneficiaram imenso na área de investigação e desenvolvimento a partir dos foragidos cientistas europeus. No entanto, as coisas parecem estar mais calmas e aparentemente sem as alterações profundas que estava a prever. Há, no entanto, a possibilidade de uma alteração significativa ocorrer no Reino Unido. Verificando-se uma vitória do partido de extrema-direita inglês e impondo¬-se uma alteração dramática na política migratória britânica isso impactará de imediato e profundamente o mercado de trabalho em Portugal, dado o nível da emigração qualificada que está localizada naquele mercado de trabalho.
3. No setor da educação, e em particular no ensino superior, as universidades portuguesas têm de aproveitar todas as oportunidades no sentido de se continuarem a afirmar como centros de ensino e de investigação de excelência. Isso tem¬-se verificado a de uma forma geral. Mas podem surgir mais oportunidades em áreas em que Portugal já pontua muito bem, como as áreas da economia e da gestão. O que não podemos perder é a possibilidade de estarmos na linha da frente naquilo que é o aproveitamento das oportunidades de investigação, desenvolvimento e ligação à economia portuguesa, no sentido de a apoiar, de a desenvolver, quer através do aproveitamento dos fundos disponíveis e destinados ao ensino superior, quer pelo aproveitamento de migração qualificada que se venha a verificar. O ensino superior português tem de apoiar o desenvolvimento da economia portuguesa de modo a podermos instalar em Portugal o sentimento de que vale a pena por cá continuar após a obtenção de um diploma de uma universidade portuguesa.
4. ESPERANÇA com cheiro a pólvora.






