As perspectivas dos líderes para 2026: António Lagartixo, CEO e Managing Partner da Deloitte

António Lagartixo, CEO e Managing Partner da Deloitte, dá a sua visão para o futuro

Executive Digest
Fevereiro 20, 2026
12:20

2026. Acima de tudo, transformação, num ano desafiante, mar­cado por imprevisibilidade e rápidas mudanças no cenário global e que exige dinamismo de todos. Neste ambiente, a confiança será uma ferramenta decisiva para permitir o progresso e a evolução de Portugal. Para compreender os principais desafios e metas que Portugal enfrentará nos próximos meses, a Executive Digest ouviu vários líderes de empresas e instituições nacionais.

Nesse sentido, ficaremos a conhecer o que o CEO e Managing Partner da Deloitte antecipa para um ano que exige, com responsabilidade, decisão, execução, equilíbrios delicados, optimismo e esperança (com cheiro a pólvora) e ambição colectiva.



  1. Quais os maiores desafios e alterações que o seu sector e empresa, em particular, pode enfrentar em 2026?
  2. Que impacto terá o actual quadro geopolítico no seu sector?
  3. Alguma oportunidade que a sua empresa/ sector não pode perder em 2026?
  4. Uma palavra que possa definir 2026.

1. Em 2026, diria até nos próximos anos, o setor dos serviços profissionais, assim como muitos outros setores, vai continuar a experienciar um período de enorme e acelerada transformação, impulsionado por dois grandes eixos estratégicos: inovação tecnológica e talento. A evolução tecnológica deixou de ser apenas considerada como uma forma efetiva de aumentar a eficiência operacional, para ser a base da redefinição dos modelos de negócio e de trabalho das organizações, conduzindo de forma mais abrangente, a uma redefinição da própria conceção da sociedade em que vivemos.
Esta reflexão não está, no entanto, circunscrita à realidade empresarial, ou à Deloitte em particular, diz também respeito ao posicionamento de Portugal e às oportunidades que abre. É crucial acelerar a integração generalizada de soluções com base nos modelos de IA, um caminho que a Deloitte tem vindo a fazer de forma consistente, para que as empresas possam ganhar escala e competitividade. Apesar dos desafios do novo xadrez geopolítico, há oportunidades efetivas para as organizações portuguesas, particularmente no campo das tecnologias emergentes, que devemos ser capazes de potenciar. Este tema é particularmente relevante quando consideramos o OCDE Employment Outlook 2025, que indica que sem políticas para aumentar a preparação tecnológica, o crescimento do PIB per capita nos países da OCDE pode cair cerca de 40% até 2060 por conta do envelhecimento demográfico.
No entanto, nenhuma mudança é efetivamente transformadora se não houver profissionais capazes de a materializar. Por isso, refiro o talento como um eixo estratégico para a competitividade nacional. Devemos ser capazes de combinar a aposta na educação com programas de reskilling e upskilling de competências, duas formas efetivas de valorizar o talento em Portugal.

2. Não é possível projetar o futuro sem reconhecer a complexidade do atual contexto internacional e geopolítico em que operamos. Vivemos num mundo profundamente interligado, uma realidade que experienciamos diariamente na Deloitte, através do trabalho com equipas e mercados internacionais. Tudo o que acontece além-fronteiras reflete-se, naturalmente, e de forma direta, nas decisões que tomamos ou nas prioridades estratégicas dos nossos clientes.
Contudo, como já referido, este cenário, embora marcado pela incerteza e volatilidade, abre também importantes oportunidades. Áreas como a defesa, a cibersegurança ou as infraestruturas tecnológicas, estão em franca expansão e criam um contexto favorável para as empresas nacionais, desde que estas tenham a capacidade de se distinguir das demais, nomeadamente em termos tecnológicos.
A complexidade deste momento aumenta também a exigência para organizações como a Deloitte. Obriga-nos a evoluir e a investir continuamente de forma muito significativa para antecipar eventuais mudanças súbitas no panorama internacional, como tem vindo a acontecer frequentemente e, acima de tudo, reforça a nossa responsabilidade para apoiar os nossos clientes em momentos de elevada incerteza.

3. Estou convicto de que a Deloitte poderá manter-se como um verdadeiro catalisador do desenvolvimento económico em Portugal, apoiando as organizações nacionais, independentemente da sua dimensão, a dar o salto tecnológico de que o país precisa. A adoção de novas tecnologias tem sido um tema cada vez mais prioritário não só para as organizações, mas também para o executivo que tem vindo a apostar na gradual modernização da administração pública.
Com as condições certas, Portugal pode converter-se num hub tecnológico de referência na Europa. Estamos bem posicionados geograficamente, temos talento altamente qualificado, e as oportunidades de investimento constituem uma base sólida. O desafio passa agora por converter estas condições em oportunidades concretas que permitam acelerar a adoção de tecnologias avançadas.
Como sabemos a estrutura do nosso tecido empresarial, constituída largamente por pequenas e médias empresas, reforça a complexidade deste processo de transformação, mas acredito que com uma abordagem estruturada seja possível inverter os dados do Eurostat, que continuam a posicionar Portugal entre os países com menor grau de adoção de IA por parte das empresas. Apenas deste modo será possível criar um ambiente de inovação, capaz de sustentar o crescimento económico do país.
Adicionalmente, continuaremos a apoiar os nossos clientes em áreas emergentes e de grande importância no futuro, como é o caso dos aspetos relacionados com a sustentabilidade, com a adoção de modelos de Governance adequados aos tempos atuais e a providenciar ao mercado serviços de Audit, Assurance e Risk Advidory que assegurem, neste momento de transformação, a confiança adequada aos investidores e ao correto funcionamento do mercado de capitais em geral.

4. Para 2026, a palavra que melhor traduz a nossa ambição é PROGRESSO. Investir no futuro das organizações, da economia e das pessoas exige também a criação de condições favoráveis para que isso aconteça, independentemente das contrariedades e incertezas. Se é verdade que não podemos controlar a forma como o mundo muda e evolui, temos de ser capazes de nos adaptar e de transformar essas mudanças em avanços concretos.
Esta visão está também refletida na nova tagline global da Deloitte – “Together makes progress”, que apela à necessidade de trabalhar em conjunto para potenciar o crescimento das organizações e a prosperidade da sociedade.

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