As doenças da aprendizagem e da transformação

Pedro Brito, Associate Dean for Executive Education & Business Transformation na NOVA SBE

No momento de decidir a melhor estratégia para o crescimento individual ou organizacional, deparamo-nos muitas vezes com situações de “Paralisia da Escolha”, “Síndrome da Perfeição” ou “Medo Pato-lógico”; e os seus sintomas podem ser observados sobretudo no momento de tomada de decisão sobre que programa de formação devo escolher ou que tipo de projecto de transformação deve a minha equipa ou organização desenvolver. A origem destes males é fundamentalmente cultural, mas o contexto actual amplificou o efeito destes males ligados à aprendizagem e transformação.

Paralisia da escolha

A cultura ocidental habituou-nos à ideia de que ter muitas opções é sempre bom. Mas, no momento de decidir, ter de escolher entre demasiadas opções pode ter um efeito contrário ao desejado. No momento de decidir qual será o melhor programa de formação ou o parceiro ideal para apoiar a sua empresa num processo de transformação, existem tantas opções que podemos deparar-nos com uma situação de “Paralisia da Escolha”: uma incapacidade de escolher uma opção com receio de não tomar a melhor decisão, das consequências dessa escolha ou se terá toda a informação para eleger o melhor caminho.

Por vezes, perante a enorme diversidade de opções que existem no mercado e muitas vezes sem considerar as variáveis mais adequadas, pessoas e empresas correm o risco de ficarem frustradas com o resultado – sobretudo quando a decisão é adiada tantas vezes que se perde o timing, correndo riscos ainda maiores, sejam eles relacionados com progressão e desenvolvimento profissional, sejam com a rapidez da resposta às necessidades sentidas pela empresa no contexto actual.

Neste contexto, perante esta incapacidade temporária de tomar as melhores decisões, deveremos procurar identificar critérios que realmente fazem sentido para atingir os objectivos pré-definidos, estejamos nós numa perspectiva individual ou organizacional.

Procurando responder a uma pandemia de situações como a descrita, a Nova SBE Executive Education acaba de lançar o Iter, uma plataforma online onde qualquer pessoa pode encontrar o programa ou solução mais adequada à sua situação, em cada momento. A nossa proposta passa por apoiar o processo de reflexão sobre o que uma pessoa ou empresa realmente precisam, reduzindo dúvidas que podem por vezes bloquear a sua capacidade de tomada de decisão.

Através de um conjunto de filtros dinâmicos simples e alinhados com as necessidades mais prementes de mercado, esta plataforma facilita o processo de escolhas, promovendo assim uma iter.acão inteligente com uma oferta seleccionada para a nossa comunidade.

Síndrome de perfeição

Depois, temos uma outra situação, infelizmente cada vez mais recorrente: o “Síndrome da Perfeição”. São pessoas e organizações que fantasiam com a escolha perfeita e neste sentido investem tempo e energia no processo de decisão de uma forma tão intensa que correm o risco de se sentirem frustrados com a escolha realizada. Este comportamento é o resultado das expectativas cada vez mais elevadas dos diferentes stakeholders com que as pessoas e organizações interagem – uma condição cada vez mais comum nas sociedades modernas, ultracompetitivas que se julgam pelos mesmos critérios.

Na verdade, vale a pena pensar se temos de seguir sempre os mesmos critérios de comparação. Será que aquilo que é bom para os outros é bom para mim ou para a minha organização? Saber fazer boas escolhas é também resultado de um bom diagnóstico, evitando investir tempo, dinheiro e energia em actividades com um retorno aquém das expectativas que idealizamos no início do processo de decisão.

Por esta razão, a Nova SBE Executive Education realiza diagnósticos no início desta jornada, para melhor compreender, nomeadamente, a maturidade organizacional, necessidades de desenvolvimento individuais, expectativas e impactos esperados. Assim, somos capazes de compreender de forma mais consciente o que cada pessoa, equipa ou organização pretende realmente alcançar, qual é o ponto de partida e qual o melhor caminho para lá chegar.

Medo pato-lógico

Existe ainda uma terceira condição que deve ser tida em consideração. O “Medo Pato-lógico” de decidir perante a incerteza ou perante o risco. Em primeiro lugar, é importante clarificar o que é Risco e o que é Incerteza. No caso do Risco, as alternativas relevantes, consequências e probabilidades são conhecidas. No caso da Incerteza, muitas alternativas, consequências e probabilidades não são conhecidas. Na primeira deveremos adoptar uma abordagem mais analítica, usando pensamento estatístico para apoiar o processo de tomada de decisão. Na segunda, precisamos de usar algo mais intuitivo como a aplicação de heurísticas.

O problema é que muitas pessoas e organizações adoptam comportamentos de “Medo Pato”. Tal como os patos, colocam a “cabeça para baixo e rabinho para cima”, evitando uma realidade que exige acção. É fundamental que – mesmo em contexto de crise – sejamos capazes de nos preparar para enfrentar novos desafios, com novas ferramentas e novas formas de trabalhar.

Por esta razão, os programas educativos da Nova SBE Executive Education procuram cada vez mais preparar as pessoas e organizações para enfrentar estes medos, trazendo esperança através do desenvolvimento de um conjunto de competências muito diversificado: desde matérias assentes em conhecimento científico, seja ele nas áreas de gestão, finanças, estratégia ou marketing, ou em matérias comportamentais, como coragem, criatividade, pensamento lateral ou confiança.

Conscientes de que o tempo é cada vez mais limitado, as nossas soluções de aprendizagem foram dissecadas em blocos mais pequenos, permitindo que qualquer pessoa possa escolher os temas em que gostariam se inscrever, permitindo realizar uma ultra- -customização da sua jornada de desenvolvimento.

A “Paralisia da Escolha”, “Síndrome da Perfeição” ou “Medo Pato-lógico” são apenas exemplos das inúmeras tensões que as pessoas e empresas têm de aprender a lidar. Perante a incerteza sobre o futuro, mais e mais líderes são confrontados com a necessidade de atingir objectivos muitas vezes conflituantes, que aumentam a manifestação destas situações. São-lhes exigidos resultados a curto prazo, mas com sustentabilidade no longo prazo, estabilidade da equipa com significativas mudanças organizacionais, uma gestão de Risco cada vez mais interiorizada, mas com uma cultura de inovação e empreendedorismo. Estes e outros paradoxos tornam naturalmente o processo de tomada de decisão ainda mais difícil.

Mas, no final do dia, uma coisa é certa: escolher deixou há muito tempo de ser um acto natural. Escolher é uma competência. E é por isso que todas as pessoas e organizações devem aprender a fazer as melhores escolhas para si e para a sua comunidade.

*Texto publicado no especial MBA, Pós-Graduações & Formação de Executivos na edição de Setembro de 2020 da Executive Digest

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