Ártico no centro da estratégia: NATO coordena exercícios para travar Rússia e China

Operações decorrem sob coordenação do Comando Conjunto de Norfolk (JFC Norfolk) e inserem-se na estratégia da Aliança Atlântica para reforçar a presença militar no Ártico e no Alto Norte

Francisco Laranjeira
Fevereiro 20, 2026
14:18

A NATO reuniu unidades especiais da Força Aérea Sueca e das Forças Armadas dinamarquesas para uma série de exercícios na Gronelândia, nas primeiras manobras realizadas desde o lançamento da missão Arctic Sentinel, noticiou esta sexta-feira o ’20 Minutos’. As operações decorrem sob coordenação do Comando Conjunto de Norfolk (JFC Norfolk) e inserem-se na estratégia da Aliança Atlântica para reforçar a presença militar no Ártico e no Alto Norte.

Os exercícios articulam-se com manobras nacionais já previstas, como a Arctic Resistance, da Dinamarca, e a Cold Response, da Noruega, que mobilizam dezenas de milhares de militares em cenários de clima extremo. O objetivo passa por melhorar a coordenação operacional entre aliados e testar a capacidade de resposta conjunta em ambiente ártico.



No âmbito do destacamento, um pelotão de Rangers da Força Aérea Sueca foi enviado para duas semanas de treino na Gronelândia, em cooperação com forças dinamarquesas, com foco na defesa do flanco norte da NATO. A Suécia contribui igualmente com caças destacados para a missão de policiamento aéreo da Aliança na Islândia.

Segundo o ’20 Minutos’, as manobras permitem testar equipamentos, sistemas de comunicação e logística em condições severas, avaliando o impacto do clima ártico nas operações. Para os Rangers suecos, trata-se também de uma oportunidade para ganhar experiência num ambiente frio e desértico, com pouca neve, contribuindo para o desenvolvimento das capacidades das Forças Armadas suecas.

“Na Gronelândia, estamos a desenvolver as capacidades da unidade num ambiente exigente, com foco no combate, mobilidade em terrenos difíceis, apoio médico e treino conjunto com aliados”, afirmou Emil Fechtner, comandante da Companhia de Rangers da Força Aérea Sueca, citado em comunicado.

Entretanto, a Força Aérea alemã anunciou que os seus caças Eurofighter, preparados para a operação Arctic Sentinel, já se encontram na Islândia, onde operam ao lado de aviões Gripen suecos e F-35 dinamarqueses. O Comando Aéreo de Norfolk considera esta presença uma demonstração de prontidão, interoperabilidade e coesão entre aliados.

O arranque destes exercícios surge poucos dias após o lançamento oficial da missão Arctic Sentry, destinada a reforçar a segurança no Ártico. A iniciativa resulta de um entendimento entre o presidente americano, Donald Trump, e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, após a crise desencadeada pelas tentativas da Casa Branca de assumir o controlo da Gronelândia.

A missão passa a coordenar, sob comando da NATO, exercícios que anteriormente eram conduzidos de forma independente pelos Estados-membros. Está igualmente aberta a novos destacamentos militares dos 32 países da Aliança, num esforço para contrariar a crescente presença da Rússia e da China na região ártica.

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