Só na América do Norte, regista-se uma quebra de 46% do número de locais com populações de abelhas selvagens, nos últimos 100 anos. No continente europeu, a descida não é tão acentuada, ficando-se pelos 17%, mas ainda assim preocupante, segundo um estudo publicado esta semana na revista científica Science.
Desenvolvido por investigadores da University of Ottawa e University College London, o estudo revela que as áreas com declínios mais acentuados coincidem com regiões onde as variações climáticas são mais fortes. Temperaturas elevadas e ondas de calor são pontos em comuns nestas regiões.
«Onde as temperaturas estão a ficar mais extremas, as abelhas tendem a desaparecer mais frequentemente», sublinha Peter Soroye, investigador na University of Ottawa e um dos autores do estudo. Estes insectos não estão a conseguir tolerar as alterações com as quais são confrontados.
Citado pelo jornal The Washington Post, o especialista afirma que as abelhas selvagens (por oposição às abelhas em colmeias industriais e dedicadas exclusivamente à produção de mel) são insubstituíveis porque nasceram e cresceram com os habitats. Caso desapareçam, a paisagem poderá mudar drasticamente, uma vez que são estas abelhas as responsáveis por polinizar flores, mas também plantações de alimentos como o tomate. Isto significa que haverá também consequências económicas para as sociedades.
Mas há quem considere que o estudo de Peter Soroye não representa fielmente o que se passa no total do planeta. O mesmo jornal aponta também a visão menos alarmista de Sydney Cameron, especialista em abelhas da University of Illinois, segundo o qual a análise em questão se foca apenas no mundo ocidental.
«Não tenho dúvidas de que as alterações climáticas são um factor provável para o declínio da biodiversidade no geral, mas isto precisa de ser testado com experiências tanto no terreno como em laboratório», diz Sydney Cameron.
As características físicas deste tipo de abelhas (com pêlo em todo o corpo) fazem com que seja possível que haja grandes populações em locais com temperaturas mais baixas. Contudo, se a tendência for para uma subida dos termómetros a nível mundial, a espécie terá mais dificuldades em se adaptar.




