Aliado de Putin avisa que plano da NATO para a Ucrânia pode levar a Terceira Guerra Mundial

Um aliado próximo do Kremlin lançou um grave aviso sobre o risco de uma Terceira Guerra Mundial, na sequência da assinatura de uma declaração de intenções entre França, Reino Unido e Ucrânia que prevê a criação de estruturas militares no território ucraniano após um eventual cessar-fogo com a Rússia.

Pedro Gonçalves
Janeiro 7, 2026
17:58

Um aliado próximo do Kremlin lançou um grave aviso sobre o risco de uma Terceira Guerra Mundial, na sequência da assinatura de uma declaração de intenções entre França, Reino Unido e Ucrânia que prevê a criação de estruturas militares no território ucraniano após um eventual cessar-fogo com a Rússia. A advertência partiu de Viktor Medvedchuk, político ucraniano pró-russo a viver no exílio em Moscovo desde 2022.

Em declarações citadas pela agência russa Tass, Medvedchuk classificou a iniciativa dos países da NATO como uma provocação política em larga escala. Segundo o líder do movimento de oposição “Outra Ucrânia”, a intenção de destacar uma força multinacional para o país após o fim do conflito “não pode ser vista como outra coisa senão uma provocação política de grande escala destinada a impedir que este conflito termine e, assim, conduzir o mundo a uma terceira guerra mundial, criando todos os pré-requisitos necessários para isso”.

A declaração que motivou a reação foi assinada em Paris pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, pelo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. O documento estabelece a intenção de criar uma força multinacional e centros militares em solo ucraniano caso seja alcançado um acordo de paz com Moscovo, uma possibilidade que a Rússia e figuras alinhadas com o Kremlin veem como uma escalada perigosa rumo a um confronto direto entre a NATO e a Federação Russa.

Keir Starmer confirmou que o plano prevê a instalação de infraestruturas militares em vários pontos do país. “Após um cessar-fogo, o Reino Unido e a França irão estabelecer centros militares em toda a Ucrânia e construir instalações protegidas para equipamento militar, de forma a apoiar as necessidades defensivas da Ucrânia”, afirmou o chefe do Governo britânico.

Volodymyr Zelensky saudou o acordo, sublinhando que se trata de compromissos concretos e não apenas declarações políticas. “É importante que hoje a coligação tenha documentos substanciais. Não são apenas palavras. Há conteúdo concreto: uma declaração conjunta de todos os países da coligação e uma declaração trilateral entre França, Reino Unido e Ucrânia”, afirmou o Presidente ucraniano.

A cimeira de Paris contou ainda com a presença de enviados do Presidente norte-americano Donald Trump, incluindo Steve Witkoff e Jared Kushner, que reafirmaram publicamente o apoio dos Estados Unidos às novas garantias de segurança. Segundo os representantes norte-americanos, Washington continuará a desempenhar um papel central na monitorização de qualquer trégua e no fornecimento de garantias adicionais à segurança da Ucrânia no pós-guerra.

Para Moscovo e os seus aliados, no entanto, o envolvimento militar ocidental em território ucraniano representa uma linha vermelha. O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, criticou duramente os países europeus, acusando-os de fomentar uma “histeria antirussa” e de apoiar a Ucrânia apenas para prolongar o conflito. “O facto de não acreditarem na viabilidade das suas próprias estratégias já as condena”, afirmou, também citado pela Tass.

Medvedchuk foi ainda mais longe na retórica, acusando os líderes ocidentais de irresponsabilidade política. “Este alarido de políticos impotentes, enlouquecidos pela sua própria vaidade, pode custar caro ao mundo inteiro”, declarou, reforçando o cenário de uma escalada global caso os planos avancem.

Apesar das críticas russas, vários líderes europeus reiteraram o seu compromisso com Kiev. O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que a Alemanha continuará a contribuir “politicamente, financeiramente e militarmente”, admitindo que isso poderá incluir o destacamento de forças em território da NATO vizinho da Ucrânia após um cessar-fogo.

Os líderes da coligação reconhecem, contudo, que ainda faltam definir compromissos juridicamente vinculativos e os detalhes operacionais das eventuais missões militares. As próximas semanas deverão ser marcadas por negociações intensas sobre os mecanismos de implementação das garantias de segurança, num contexto em que a oposição firme da Rússia à presença de tropas estrangeiras na Ucrânia continua a ser um dos maiores obstáculos diplomáticos.

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