Algoritmo da rede social X leva a posições políticas mais conservadoras, revela estudo

Ativar o algoritmo ‘para ti’ na rede social X leva os utilizadores a adotarem opiniões políticas mais conservadoras, de acordo com um estudo com quase 5.000 utilizadores da plataforma de redes sociais.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 19, 2026
0:32

Ativar o algoritmo ‘para ti’ na rede social X leva os utilizadores a adotarem opiniões políticas mais conservadoras, de acordo com um estudo com quase 5.000 utilizadores da plataforma de redes sociais.


O estudo observou ainda que esta tendência persiste mesmo depois de os utilizadores desativarem o filtro e regressarem ao feed cronológico (versão normal).


Os detalhes da investigação, conduzida por uma equipa internacional de cientistas de Itália, Suíça e França, foram publicados na revista Nature, noticiou na quarta-feira a agência Efe.


Para muitas pessoas, as redes sociais tornaram-se a principal fonte de informação, o que gerou preocupação com a desinformação, a polarização e a influência dos algoritmos (que filtram, selecionam e ordenam o conteúdo em feeds personalizados para reter os utilizadores).


Algumas experiências anteriores em grande escala – incluindo uma colaboração com a Meta – encontraram poucas evidências de que a desativação do algoritmo que filtra a informação e o regresso a um feed cronológico alterasse as atitudes políticas dos utilizadores.


Mas estes estudos não conseguiram determinar se a exposição precoce ao algoritmo já tinha moldado estas opiniões, salientaram os autores.


Para esclarecer isto, realizaram uma experiência independente com 4.965 utilizadores do X nos Estados Unidos durante o Verão de 2003, seis meses depois de o empresário sul-africano Elon Musk ter comprado a empresa, então chamada Twitter, e um ano antes de declarar publicamente o seu apoio ao candidato republicano Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos.


Os participantes do estudo foram aleatoriamente designados para um feed algorítmico (um filtro de notícias) ou para a linha do tempo (a versão padrão) durante sete semanas.


Também entrevistaram os participantes antes e depois da experiência e analisaram o conteúdo da linha do tempo e o comportamento dos utilizadores na rede utilizando uma extensão de browser que permitia monitorizar o conteúdo da linha do tempo e as interações online.


Os resultados revelaram que os utilizadores designados para o feed algorítmico interagiram mais com a plataforma, adotaram visões políticas mais à direita e eram mais propensos a seguir ativistas políticos conservadores.


Por outro lado, quando os utilizadores foram transferidos do feed algorítmico para o feed cronológico, as suas opiniões e comportamentos tiveram pouco efeito.


Além disso, a análise de conteúdo revelou que o algoritmo exibiu mais publicações conservadoras e ativistas, ao mesmo tempo que reduziu a visibilidade dos meios de comunicação tradicionais, como aponta o estudo.


Para os autores, estes resultados demonstram que os algoritmos das redes sociais “moldam significativamente as atitudes políticas” e que este efeito persiste mesmo após a remoção da seleção algorítmica.


Além disso, alertaram que os algoritmos influenciam não só o que os utilizadores veem, mas também o ambiente político digital em que vivem.


Os autores advertiram ainda para as limitações do estudo, sublinhando, em primeiro lugar, que os resultados devem ser restritos à rede X e, em segundo lugar, que o período de tempo da experiência não permite determinar os efeitos a longo prazo.


 

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