A 8 de março celebramos o Dia Internacional da Mulher, cuja origem remonta às lutas históricas das mulheres pelos seus direitos sociais, políticos e laborais. Este dia assinala as conquistas alcançadas nas mais diversas áreas: da educação à ciência, da cultura à política e à economia.
Nos últimos anos, entre avanços e recuos, assistimos a progressos significativos. O acesso à educação para meninas e mulheres melhorou de forma substancial. Cada vez mais mulheres concluem cursos superiores (hoje, aliás, são a maioria) e seguem carreiras científicas, tecnológicas, artísticas e de liderança. O conhecimento deixou de ser um privilégio masculino.
Também no mercado de trabalho a presença feminina cresceu, mas a progressão na carreira continua desigual. Mais mulheres estão empregadas, mas a distribuição nos cargos de liderança ainda não reflecte a proporção real de talento existente. As diferenças salariais, as limitações na progressão profissional e os obstáculos invisíveis continuam a minar oportunidades. Para alcançar posições de liderança, as mulheres são muitas vezes obrigadas a demonstrar mérito de forma reiterada, superando padrões que raramente são exigidos aos homens, apesar de partirem das mesmas bases de qualificação e desempenho.
As acções que têm vindo a ser adoptadas, incluindo as leis que estabelecem limiares mínimos de representação equilibrada nos órgãos de gestão das empresas e no Parlamento, têm sido ferramentas importantes para corrigir desigualdades históricas. Estas medidas permitem que mais mulheres cheguem a posições de decisão e façam ouvir a sua voz. Contudo, as chamadas “quotas” não substituem a cultura organizacional, a mudança de mentalidades ou a eliminação de preconceitos profundamente enraizados. São um passo necessário, mas não a solução final. Podem alterar os números, mas a transformação substantiva continua difícil de alcançar e ainda está longe de estar consolidada.
Surge então a pergunta: será que ainda precisamos de insistir na narrativa da igualdade de género? Sim, sem dúvida! Apesar dos avanços registados, estamos ainda a vários passos de alcançar uma verdadeira paridade. Celebrar as conquistas das mulheres no dia 8 de março não pode ser apenas um gesto simbólico. Não basta promover eventos neste dia ou multiplicar mensagens e posts inspiradores nas redes sociais. É preciso reflexão, questionamento e ação contínua.
Precisamos de continuar a falar de igualdade de género: nas escolas, nas empresas, nas políticas públicas, nas nossas casas e nas conversas do quotidiano. A igualdade de oportunidades não é um favor. É um direito! Cada percurso profissional, cada liderança e cada história de coragem deve ser celebrada e usada como inspiração e impulso para continuar a avançar.
É fundamental dar visibilidade às mulheres que nos inspiram, todos os dias e não apenas a 8 de março.




