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Agora sim, o Brexit!

Por Ricardo Florêncio

Interessa pouco a semântica, demagogia e verborreia que já se derramou, e muito ainda vai correr. Interessa, isso sim, como vai ser o Reino Unido e quais as relações deste com a União Europeia e o próprio Mundo. Não alinho com os que dizem que ficará quase tudo na mesma. Penso mesmo que vai ser tudo muito diferente. Em primeiro lugar, no próprio Reino Unido. Vamos começar por ver como fica a economia e como vai ser afectada a vida e o rendimento dos cidadãos, nomeadamente aqueles aos quais foi “vendido” o “El Dorado” com esta separação.

E como vai ficar a Escócia, fervorosa adepta da Europa e da União Europeia, que já anunciou novo referendo para a independência, face a esta saída forçada e obrigada da União Europeia.

E como vai ficar a situação da Irlanda do Norte? Vai voltar a haver fronteira real, entre as duas Irlandas, e com todos os problemas daí inerentes? Vai juntar-se à República da Irlanda? E vai, assim, haver uma desagregação do Reino Unido, que passa a ser composto pela Inglaterra e pelo País de Gales?

Quanto à Europa, as diferenças serão substanciais. Em primeiro lugar, logo na sua força. A União Europeia perdeu um dos seus principais membros e de grande peso em toda a linha. Além disso, perdeu o seu principal rosto Atlântico. E, assim, fica com uma vertente muito mais continental e assente em duas grandes economias, o que vai provocar diversos desequilíbrios. Noutra vertente, a União Europeia simbolizava um grupo, onde todos queriam entrar e de onde ninguém queria sair. Por outro lado, como vão ser as futuras relações entre a União Europeia e o Reino Unido? O Reino Unido quererá o “melhor dos dois mundos”. Mas que postura deverá assumir a União Europeia nessas negociações? Não pode facilitar, pois poderá abrir caminhos e esperanças a outros movimentos separatistas. Mas não pode assumir uma posição muito intransigente, pois o Reino Unido é uma grande potência em todos os domínios. E, assim, a única certeza que há é que nada ficará igual!

Editorial publicado na revista Executive Digest nº 167 de Fevereiro de 2020

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