Abuso sexual infantil online aumenta com os bloqueios da Covid-19

O aumento da pedofilia foi relatado pelas autoridades policiais nacionais dos 27 estados-membros da UE, que assistiram a um crescente acesso a sites ilegais e encerraram mais plataformas online para troca de material sexual infantil.

Simone Silva

O abuso sexual infantil online na União Europeia (UE) registou um aumento durante a pandemia da Covid-19, segundo declarações da directora da Europol, Catherine De Bolle, prestadas esta segunda-feira, que alerta para a possibilidade de surgirem mais casos quando as escolas reabrirem e a monitorização dos professores recomeçar, avança a agência ‘Reuters’.

O cibercrime aumentou durante a epidemia, acompanhando o aumento de pessoas que se viram obrigadas a trabalhar e a fazer compras online. «O mais preocupante é o aumento da actividade online de pessoas que procuram material sobre abuso sexual infantil», disse a responsável da Europol.



De Bolle disse ainda que o aumento da pedofilia foi relatado pelas autoridades policiais nacionais dos 27 estados-membros da UE, que assistiram a um maior acesso a sites ilegais e encerraram mais plataformas online para troca de material sexual infantil.

A responsável referiu que os investigadores da Europol também interceptaram criminosos, que alegaram um acesso mais fácil a crianças, através de conversas na dark web, uma parte da internet que é acessível apenas com software ou autorização específica, maioritariamente utilizado por hackers, ou piratas informáticos.

Os agressores sexuais estão a tentar explorar a crescente exposição infantil à web, visto que durante os bloqueios da pandemia, as crianças têm tido aulas online, por vezes através de plataformas que não são devidamente protegidas, segundo, De Bolle.

«Esperamos ter uma maior e melhor visão sobre a situação, numa altura em que as crianças vão poder frequentar a escola novamente e ter a possibilidade de conversar com os professores», afirmou a responsável.

De recordar que em muitos países europeus, as escolas ainda se encontram encerradas para conter a pandemia, como é o caso de Portugal, onde apenas abriram as secundárias para os alunos com exames nacionais.

As linhas directas para denunciar abusos sexuais também registaram um aumento dos pedidos de contacto durante os bloqueios impostos pelo novo coronavírus, disse De Bolle.

«Usar a Internet para explorar sexualmente crianças hoje em dia é mais fácil do que nunca», avançou a ‘ECPAT’, uma rede de organizações da sociedade civil contra a exploração sexual infantil.

O organismo refere que actualmente é mais fácil para os pedófilos entrar em contacto com crianças e encontrar criminosos com ideias semelhantes, «o que também facilita o acesso, o download, a produção e a partilha de material de abuso sexual infantil».

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.