Por Ana Amado – Director, Retirement-Non Actuarial da WTW
A Comissão Europeia propôs, no início de março, a ativação da Diretiva 2001/55/CE do Conselho, de 20 de julho de 2001, relativa à proteção temporária, a fim de permitir uma assistência rápida e eficaz às pessoas que fogem do conflito na Ucrânia. Assim, os Ucranianos ficam isentos da obrigação de apresentação de visto, para entrar na EU.
Em função da evolução do conflito e segundo estimativas iniciais, é provável que a UE venha a acolher um número que poderá oscilar entre 2,5 a 6,5 milhões de pessoas.
Ao abrigo desta proposta, as pessoas que fogem do conflito armado terão uma proteção temporária na UE, ou seja, terão autorizações de residência, acesso à educação e ao mercado de trabalho.
Por outro lado, uma vez que a lei marcial está em vigor na Ucrânia também facilmente podemos concluir que quem irá usufruir deste estatuto serão, maioritariamente, as mulheres, as crianças e adolescentes e alguns idosos. Note-se também, e já que falamos em igualdade de género, que 17% do exército ucraniano é formado por mulheres, ou seja, nem todas deixam o país.
Independentemente do caso, teremos um fluxo maciço de mulheres que entrarão no mercado de trabalho europeu, pelo menos, enquanto o conflito durar e muitas, certamente, ficarão por mais algum tempo.
Se já tínhamos um problema de igualdade remuneratória, pré-Covid, agravado pela pandemia, acredito que, em resultado deste exôdo feminino, claramente em situação precária por toda a envolvente decorrente de uma situação como esta, que corremos um sério risco de um dos objetivos de Ursula von der Leyen, o de atingir a igualdade remuneratória na Europa o mais rapidamente possível, não se alcançar.
Mas não tem que ser propriamente assim pois todos os países da EU têm desenvolvido políticas que têm sido transpostas para leis de cada país, referentes à promoção da igualdade de género e igualdade salarial. Isso ajudará todas as mulheres, mas, principalmente, as Ucranianas, que neste momento, tanto precisam, de terem uma maior autonomia económica, um melhor ambiente de trabalho, evitando situações de precaridade e incerteza das suas famílias.
Caberá a todos os responsáveis de RH, empresários, etc. olharem para este tópico com seriedade e justiça, promovendo um desenvolvimento económico de cada país de forma mais diversificada, inclusiva e sustentável.
Feliz Dia Internacional das Mulheres!




