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A falácia dos números!

Por Ricardo Florêncio

Desde sempre que nos ensinaram que a matemática é uma ciência exacta.
Talvez seja. A questão, e muitas vezes o problema, é o que se pode fazer com os números. E se esse jogo com os números serve para empolar, ocultar, ou mesmo enganar, então passamos de uma ciência exacta, para a abstração total. Lembro-me sempre da história da laranja. Se alguém come uma laranja, e se outro indivíduo nada come, então em média comeram meia laranja cada um. Em termos matemáticos, em termos de números, está certo. No entanto, em termos reais, um comeu, e outro nada comeu. Não é muito diferente da enxurrada de números que vamos ouvindo e lendo todos os dias. Números absolutos, que vão mudando para percentagens, quando dá mais jeito, e comparando com os índices, ou com qualquer coisa, que seja mais conveniente para os resultados que deseja mostrar, e que melhor sirva os objectivos a atingir.

Por isso é que todos os números que se mostram acabam por ser verdadeiros. Agora, tudo depende da forma como são usados, como se manipulam, como se apresentam, e a forma como são interpretados pelos seus destinatários. Hoje, mais do que nunca, e perante toda a situação que estamos a viver, é necessário que haja objectividade, integridade, honestidade e bom senso, pois as mensagens têm de ser claras. Será possível?

Editorial publicado na revista Executive Digest nº 172 de Julho de 2020

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