A cr(IA)tividade pode estar no centro da tecnologia

Opinião de Caio Soares, Expert Business Analyst & People Lead na Zühlke Portugal

Executive Digest

Por Caio Soares, Expert Business Analyst & People Lead na Zühlke Portugal 

A integração da inteligência Artificial (IA) não só no trabalho, mas também noutras vertentes da nossa vida, tem feito surgir uma questão (e muitas vezes um receio): estaremos a delegar demasiado às máquinas e a perder a capacidade de pensar de forma criativa? Na verdade, quando bem utilizada, a IA não substitui a criatividade humana, mas cria espaço para que ela floresça.



Na minha experiência e vida pessoal e profissional, um dos exemplos mais claros de como a IA pode potenciar a criatividade está na capacidade de aprender, nomeadamente novos idiomas. Hoje, a IA permite criar histórias completas, através de texto, imagens, animações e até áudio, que podem ser totalmente adaptadas ao nível, interesses e dificuldades específicas de cada pessoa. No ChatGPT, por exemplo, podemos pedir narrativas sobre temas concretos, ajustadas a um determinado nível linguístico, ou criar exercícios focados em lacunas muito específicas. Isto é particularmente relevante em línguas com menos recursos disponíveis online, democratizando, de certa forma, o acesso a esses idiomas. Naturalmente, não substitui professores, mas complementa-os e permite que se possam focar nas tarefas de maior valor como o coaching, acompanhamento e pensamento crítico, enquanto a formulação de exercícios pode ficar a cargo da tecnologia.

O mesmo pode acontecer ao criar memórias e experiências através da IA. Criar músicas, imagens ou vídeos para aniversários, eventos ou momentos especiais pode ser uma maneira interessante de marcar datas importantes, acrescentando uma camada emocional. Criam-se conteúdos personalizados, focados nas pessoas e nas respetivas ocasiões, que ajudam a marcar e a recordar. Aqui, a criatividade continua a ser chave, e a IA apenas amplia as formas de a expressar.

No contexto profissional, o impacto positivo da IA na criatividade é ainda mais evidente. Um engenheiro de software ou um analista de negócios podem usar a IA como um parceiro crítico, ao ajudar a criar uma página, plataforma ou funcionalidade, e identificando riscos, falhas na experiência do utilizador ou pontos de melhoria. No meu dia a dia, ao analisar negócios, questiono muitas vezes a IA sobre o que deve uma nova implementação considerar, por exemplo, fornecendo o contexto, os critérios e o resultado esperado, e esta ajuda-me a estruturar a informação de forma clara e coerente. Nestes momentos, enquanto a IA se foca nas ações mais repetitivas e de menor valor, o esforço humano é redirecionado para as tarefas de maior valor, como o pensamento estratégico, criativo e relacional.

Mais do que uma ferramenta de execução, a IA funciona como um coach objetivo e crítico. Analisa dados, devolve feedback fundamentado, aponta o que está bem, o que pode melhorar e o que falta. Este olhar externo e baseado em dados pode verdadeiramente ajudar-nos a evoluir técnica e criativamente; importa é conseguir ver o seu potencial. O que importa verdadeiramente nesta era da IA, portanto, é sabermos como a usar para libertar tempo, energia e foco para o mais importante: criar e decidir de forma humana e inovadora. Por isso, a criatividade não se perde quando é apoiada pela tecnologia, mas sim quando não usamos a tecnologia para nos focarmos no que realmente importa.

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