UE/Cimeira: Trabalhos seguem esta noite mas amanhã líderes voltam a sentar-se à mesa das discussões

Iniciada de manhã, a cimeira foi interrompida ao final da tarde pelo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, para um “intervalo” que se prolongou por cerca de três horas

Executive Digest com Lusa

Os líderes da União Europeia retomaram hoje à noite os trabalhos formais do Conselho Europeu que decorre em Bruxelas, em busca de um acordo sobre o plano de relançamento europeu, após uma interrupção para contactos bilaterais.

Iniciada de manhã, a cimeira foi interrompida ao final da tarde pelo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, para um “intervalo” que se prolongou por cerca de três horas, durante o qual realizou consultas bilaterais com alguns chefes de Estado e de Governo.

O presidente do Conselho manteve designadamente encontros bilaterais com os primeiros-ministros holandês, Mark Rutte, e húngaro, Viktor Orbán, para tentar superar aqueles que constituem os principais obstáculos a um compromisso entre os 27 em torno das propostas de um Fundo de Resolução e do Quadro Financeiro Plurianual para os próximos sete anos.

Fontes europeias indicaram que, nesta fase das negociações, as duas questões que se afiguram mais complicadas de ultrapassar são a exigência da Holanda quanto a um direito de veto à decisão de desembolsos dos apoios aos Estados-membros – rejeitada pelos restantes 26 -, assim como a condicionalidade das ajudas ao respeito pelo Estado de direito, que tem a oposição de Hungria e Polónia, dois países que têm abertos contra si procedimentos por supostas violações nesta matéria.

Além dos encontros bilaterais com os chefes de Governo de Holanda e Hungria, Charles Michel também se reuniu durante o “intervalo” dos trabalhos com a chanceler alemã, Angela Merkel, com o Presidente francês, Emmanuel Macron, e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

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Com os líderes de volta à mesa, já depois das 21:00 locais, para um jantar de trabalho, o presidente do Conselho Europeu deverá apresentar algumas propostas de alterações ao compromisso global, com o objetivo de garantir a unanimidade necessária, mas um acordo ainda durante o dia de hoje é mais que improvável, estando previsto neste momento que os trabalhos sejam suspensos ao início da madrugada e retomados no sábado de manhã.

Portugal está na expectativa, desempenhando nesta cimeira um papel mais discreto que em anteriores negociações, até porque o primeiro-ministro, António Costa, indicou antes do Conselho que, pela sua parte, estava pronto a aprovar a proposta atualmente sobre a mesa, que considerou “excelente”.

No primeiro Conselho Europeu presencial dos últimos cinco meses – a anterior cimeira “física” teve lugar em fevereiro, antes da chegada da pandemia da covid-19 à Europa –, os 27 têm como objetivo declarado chegar a um compromisso em torno de um Quadro Financeiro Plurianual, o orçamento da UE para 2021-2027, na ordem de 1,07 biliões de euros, e um Fundo de Recuperação pós-pandemia que lhe está associado, de 750 mil milhões de euros.

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Uma das questões delicadas é a forma da prestação de ajudas ao abrigo do Fundo de Recuperação – a proposta prevê que dois terços, 500 mil milhões, sejam subsídios a fundo perdido, e os restantes 250 milhões empréstimos -, mas fontes europeias indicaram que parece haver razoável consenso quanto ao montante global (750 mil milhões de euros) e ao equilíbrio entre subvenções e empréstimos.

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