Os cientistas deixaram um alerta global: os verões podem tornar-se tão quentes que nem os humanos conseguirão suportar, de acordo com a ‘BBC’, que sublinha que milhões de pessoas em todo o mundo podem ser expostas a níveis perigosos de exaustão, devido ao calor, uma condição que pode causar a paragem de órgãos vitais.
Muitas dessas pessoas vivem em países em desenvolvimento e têm trabalhos que os expõem a condições potencialmente fatais, que incluem estar ao ar livre em quintas e estaleiros de obras ou em ambientes fechados, nomeadamente fábricas e hospitais.
O aquecimento global vai aumentar as probabilidades de condições atmosféricas de verão que podem ser «demasiado quentes para os seres humanos», segundo cientistas especializados.
A ‘BBC’ entrevistou Jimmy Lee, médico de emergências em Singapura. Segundo a cadeia televisiva, o especialista encontrava-se com os «óculos embaciados e o suor a escorrer pelo pescoço», visto que trabalha num hospital com temperaturas tropicais «sufocantes».
Não há ar condicionado, uma escolha voluntária do hospital para impedir a propagação do vírus, o que faz com que na sua opinião, tanto o próprio como os seus colegas fiquem «mais irritantes e impacientes entre si». O equipamento de protecção individual só vem agravar a situação, ao criar um ‘«micro-clima’ sufocante» nas múltiplas camadas de plástico.
«É realmente desconfortável ao longo de um turno inteiro de oito horas», refere Jimmy Lee à ‘BBC’. O responsável adianta que o superaquecimento constituiu um perigo, pois pode diminuir a capacidade de tomar decisões rápidas, por exemplo, algo que é essencial para uma equipa médica. Para além disso o desmaio e as náuseas são outros efeitos da exposição a temperaturas elevadas.
Qual será o impacto das alterações climáticas?
À medida que as temperaturas globais aumentam, é provável que se verifique uma humidade mais intensa, o que significa que um maior número de pessoas estará exposto a uma perigosa junção de calor com humidade.
Richard Betts, especialista do Met Office, no Reino Unido, analisou modelos informáticos que sugerem que o número de dias com uma temperatura global húmida acima dos 32 graus deve aumentar, dependendo se as emissões de gases de efeito estufa são ou não reduzidas.
O responsável explica os riscos que esta combinação representa para milhões de pessoas: «Nós, seres humanos, evoluímos para viver num nível específico de temperatura, portanto é claro que, se continuarmos a contribuir para aumentos de temperatura no mundo inteiro, mais cedo ou mais tarde as zonas mais quentes do mundo podem começar a registar condições demasiado quentes».
Um outro estudo, publicado no início deste ano, alertou para o facto de que a exaustão causada pelo calor poderia afectar 1,2 mil milhões de pessoas em todo o mundo até 2100, quatro vezes mais do que acontece actualmente.
*Notícia actualizada às 10h54 com mais informação





