O Reino Unido recebeu hoje um apelo que, se surtir o efeito pretendido, pode mudar o rumo da sua história nos próximos meses. Prevendo que se houver uma segunda vaga de infeções por Covid-19 no inverno, possa “ser pior” do que a primeira e que as vítimas mortais superem as 120 mil, a Academia de Ciências Médicas divulgou, esta terça-feira, um relatório a apelar a uma “preparação intensiva” dos hospitais e do Serviço Nacional de Saúde (NHS).
Esta preparação deverá ocorrer durante os meses de julho e agosto, de forma a garantir que no inverno estes serviços não ficam sobrelotados ou sem capacidade de resposta, numa altura do ano em que podem estar já lotados por doentes com gripe e outras doenças sazonais.
Segundo as previsões dos 37 especialistas e autores deste estudo, no pior dos cenários, poderá haver uma variação entre 24.500 e 251 mil mortes por Covid-19 (estando apenas a referir-se a hospitais), devendo atingir o pico em janeiro e fevereiro.
A confirmarem-se as previsões de 120 mil mortes, o inverno Reino Unido terá, pelo menos, o dobro do número da primeira vaga da pandemia.
Os especialistas avisam ainda que a taxa de contágio (o “R”) que determina quantas pessoas, em média, um infetado pode contagiar deverá estar perto de 1,7 em setembro, em todo o país. Isto é, cada britânico pode estar a infetar mais de uma pessoa e meia, em média, uma taxa de multiplicação do vírus muito acima da que hoje se regista (0,9).
A transmissão do novo coronavírus pode aumentar no inverno, quando as pessoas passam mais tempo juntas em espaços fechados, e uma segunda onda da pandemia “pode ser mais grave do que a que acabamos de passar”, disse à Reuters Stephen Holgate, professor e co-autor principal do relatório.
“Isso não é uma previsão, é uma possibilidade”, afirmou. “As mortes podem ser superior numa nova onda de Covid-19 neste inverno, mas o risco disso acontecer poderá ser reduzido se agirmos imediatamente”.
E agir passa por criar e desenvolver agora uma grande campanha de informação pública que deverá ser lançada no início do outono e que reforce os incentivos aos cidadãos para impedirem a propagação do vírus.
Os especialistas deixam ainda o conselho a hospitais e lares de que invistam, em força e rapidamente, em equipamento de proteção individual (EPI), ampla capacidade de teste, separadores e outras formas de isolar as pessoas no seu dia-a-dia.





