O director-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, revelou esta segunda-feira, que dos 230 mil casos registados a nível global nas últimas 24 horas, «cerca de 80% concentram-se em apenas 10 países e 50% em dois países». Contudo, não mencionou a que países se estava a referir.
«Permitam-me dizer sem rodeios que muitos países estão a caminhar na direcção errada», afirmou o responsável, acrescentando: «Se as regras básicas não forem cumpridas, a pandemia vai ficar cada vez pior. A Covid-19 continua a ser o inimigo público número um, mas as acções de muitos governos e dos seus cidadãos não reflectem isso», defendeu Tedros no briefing desta segunda-feira.
O director da OMS referiu ainda que «o único objectivo do vírus é encontrar pessoas para infectar. Não haverá um regresso à normalidade num futuro próximo», afirma.
Tedros classificou a resposta dos países à pandemia em quatro categorias. «A primeira situação é a dos países que estiveram alertas e conscientes: prepararam-se e responderam rápida e efectivamente aos primeiros casos. Como resultado, até agora conseguiram evitaram grandes surtos», explica, apontando os países da região de Mekong, no Pacífico, Caribe e alguns do continente africano.
«Os líderes desses países assumiram o comando da emergência e comunicaram efectivamente à população as medidas a serem tomadas. Colocaram em prática uma estratégia abrangente para encontrar, isolar, avaliar e tratar os casos, para além de rastrear e colocar em quarentena os contactos, tendo sido capazes de eliminar o vírus», afirmou o responsável.
A segunda situação surge em países onde se registou «um grande surto, que foi controlado através de uma combinação de forte liderança e de populações que cumpriram com as principais medidas de saúde pública. Muitos países da Europa mostraram que é possível controlar grandes surtos», detalhou ainda.
«Nestas duas situações, os seus líderes estão levantar os confinamentos, passo a passo, com uma abordagem abrangente da saúde pública, apoiada por um forte sistema de saúde», defendeu Tedros.
A terceira situação mencionada pelo director geral da OMS é a de países que por terem ultrapassado o primeiro pico do surto, reduziram as restrições e agora estão a enfrentar novos picos. «Em vários países do mundo, agora estamos a assistir a aumentos perigosos no número de casos, com hospitais novamente lotados», afirmou.
«Parece que muitos países estão agora a recuar porque as medidas de redução de risco não estão a ser implementadas», reforçou Tedros.
A quarta e última categoria, é a dos países que estão numa intensa fase de transmissão do vírus. «Estamos a assistir a essa situação na América, no sul da Ásia e em vários países africanos», conclui o responsável.








