Surpresa na reta final: Donohoe é o novo presidente do Eurogrupo

O novo presidente do Eurogrupo assume oficialmente funções na próxima segunda-feira, dia 13 de julho, um dia depois de terminar o mandato de Mário Centeno, e vai liderar o Eurogrupo nos próximos dois anos e meio.

Sónia Bexiga

A reunião do Eurogrupo de hoje chegou ao fim e o ministro irlandês das Finanças é o novo presidente. O anúncio, nas redes sociais, foi feito pelo presidente demissionário, Mário Centeno.

Sobre esta conquista do ministro das Finanças da Irlanda, o democrata-cristão Paschal Donohoe, pode dizer-se que, à partida, teria o caminho nada facilitado, em termos internos, pois teve de aguardar que o seu partido, Fine Gael, a centrista Fianna Fáil e os Verdes concordassem em formar um Executivo – mais de quatro meses após as eleições gerais – e então ratificassem a sua posição. “A” condição para presidir ao organismo que reúne os ministros da economia e das finanças da zona do euro.

Na sua candidatura, Donohoe afirmava que o presidente do Eurogrupo tem um papel crucial a desempenhar na resposta política às principais questões económicas, onde se inclui impacto da pandemia de covid-19”,  afirmando-se como “um dos ministros das Finanças da União Europeia e membro do Eurogrupo” em exercício há mais tempo.

O novo presidente do Eurogrupo assume oficialmente funções na próxima segunda-feira, dia 13 de julho, um dia depois de terminar o mandato de Mário Centeno, e vai liderar Eurogrupo nos próximos dois anos e meio.

https://twitter.com/mariofcenteno/status/1281277840705585159?s=20

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A surpresa desta vitória reside no facto de ter deixado para trás a ministra das Finanças espanhola, Nadia Calviño, a candidata que reuniu os apoios de peso da França e da Alemanha, e que beneficiava da relevância do trabalho que desenvolveu ao longo de oito anos em instituições europeias e no peso dos contactos que reuniu em Bruxelas neste seu percurso.

A ministra espanhola também foi a escolha do Governo português. Segundo avançou o primeiro-ministro António Costa, no passado dia 6, Portugal decidiu apoiar a candidatura da ministra espanhola Nadia Calviño à presidência do Eurogrupo.

Um apoio não se prendeu apenas com razões políticas “porque normalmente Portugal apoia Espanha e Espanha apoia Portugal” mas também se explica com as capacidades da ministra espanhola, Nadia Calviño, frisava Costa.

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“Ambos os países defendem uma estratégia comum de desenvolvimento económico e financeiro da zona euro”, reforçou ainda o primeiro-ministro português.

A ministra já deu os parabéns ao colega vencedor da corrida à liderança.

Nesta corrida também ficou para trás, e logo na primeira ronda de votações de hoje, o ministro das Finanças do Luxemburgo, Pierre Gramegna.

Esta foi a segunda vez que Gramegna (Esch-sur-Alzette, 1958) concorreu a este cargo depois de ter tentado em 2017. Gramegna perdeu então para Mário Centeno, numa votação secreta com direito a uma segunda volta, enquanto os outros dois candidatos, o ministro das Finanças da Eslováquia Peter Kazimír e a letã Dana Reizniece-Ozola, se retiraram após a primeira ronda da votação.

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