90% dos jovens portugueses até 30 anos não têm créditos bancários

Verifica-se um fraco envolvimento dos jovens portugueses com o sistema bancário e uma atitude crítica em relação ao sobreendividamento

Sónia Bexiga

90,6% dos jovens portugueses não têm crédito à habitação, 89,6% não têm crédito automóvel e 90,9% não têm créditos pessoais, segundo apurou o estudo desenvolvido pela NOVA Information Management School (NOVA IMS), para a Direção Geral do Consumidor, divulgado esta quinta-feira.

De entre as principais conclusões destaca-se o fraco envolvimento dos jovens portugueses, entre os 18 e os 30 anos de idade, com o sistema bancário nacional. A larga maioria diz ter uma (53,6%) ou duas (35,8%) contas bancárias, e 46% não tem qualquer cartão de crédito.

Acresce ainda que os jovens portugueses revelam uma atitude crítica em relação ao endividamento e sobreendividamento. Cerca de três quartos dos jovens portugueses sentir-se-iam envergonhados, nervosos e deprimidos se estivessem em situação de sobreendividamento, o que teria consequências no desempenho das suas atividades e no equilíbrio das relações pessoais. Dois em cada três inquiridos (66,7%) concordam que afetaria a atividade profissional e mais de metade consideram que as relações com os amigos e familiares seriam prejudicadas.

O estudo aponta ainda para o facto de os jovens discordarem, na sua maioria (51,4%), que as situações de sobreendividamento se devam a circunstâncias que estejam além do controlo de quem acaba por se encontrar nessa situação.

Independentemente das causas, 57,3% dos inquiridos discordam que a sociedade seja responsável por apoiar quem se encontra em sobreendividamento e concordam com a ideia (54,1%) de que os sobreendividados podiam melhorar a sua situação financeira se se esforçassem mais, inclusivamente conseguiriam arranjar emprego (54%) se tentassem com mais afinco. Dois em cada três (67,2%) discordam, também, da ideia de que os sobreendividados não devam ser responsabilizados pela sua “má sorte”.

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Do total de inquiridos, 86,4% dizem saber exatamente quanto devem em lojas, cartões de crédito ou ao banco.

Participaram neste estudo sobre envidamento 405 jovens, entre os 18 e os 30 anos, maioritariamente estudantes a tempo inteiro (45%), empregados (30%) ou estudantes com trabalho a tempo parcial (14% dos inquiridos), maioritariamente com educação superior (74,3%). Do total, 7,4% estavam desempregados. Quatro em cada cinco inquiridos (79,3%) vivem com a família e 76,3% não têm filhos.

Em análise a este resultados, os autores do estudo, Diego Costa Pinto, professor universitário e Diretor do Marketing Analytics Lab da NOVA IMS, e Leonardo Vanneschi, professor universitário e Diretor do Data Science Analytics Lab da NOVA IMS, sublinham que “a aversão revelada pelos jovens aos riscos do sistema financeiro, potencialmente mais acentuado pelo atual contexto de pandemia”.

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“Entre os próximos passos do estudo está a criação de um modelo de inteligência artificial para prever o endividamento no contexto de Covid-19 não apenas para os jovens, mas para toda a população portuguesa”, revelaram ainda.

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