Covid-19: Cidades fronteiriças do México tentam impedir passagem de americanos

Com os casos da Covid-19 a surgir nos dois lados da fronteira, as cidades do norte do México estão a tentar restringir o movimento transfronteiriço.

Simone Silva

Com os casos da Covid-19 a surgir nos dois lados da fronteira, as cidades do norte do México estão a tentar restringir o movimento transfronteiriço, para impedir a entrada de turistas e cidadãos norte-americanos, com receios de que possam transmitir o vírus, avança o ‘The Guardian’.

No fim de semana, os habitantes de Sonoyta, cidade mexicana que faz fronteira com o Arizona, utilizaram os seus próprios veículos para bloquear a estrada que conduz a Puerto Peñasco, uma cidade popular entre os turistas norte-americanos. A intenção é voltar a repetir a acção esta semana.

«Pedimos aos turistas americanos que não visitem o México», disse o presidente de Sonoyta, José Ramos Arzate, em comunicado. «Temos de salvaguardar a saúde da nossa comunidade perante uma taxa acelerada de contágio da Covid-19 no estado vizinho do Arizona», acrescentou.

Os estados norte-americanos na fronteira com o México, nomeadamente Arizona e Texas, têm vindo a registar uma multiplicação de infecções pela Covid-19, impulsionadas por uma tentativa de reabertura da economia.

Apesar dos dados que mostram um crescimento descontrolado do número de novos casos nos Estados Unidos, o presidente norte-americano, Donald Trump, tentou ainda culpar o México pela crise e afirmou, de forma errada, que Tijuana estava «fortemente afectada pela Covid-19».

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Os estados mexicanos próximos da fronteira estão cada vez mais a considerar a afluência de turistas americanos e o constante tráfego transfronteiriço como um obstáculo aos esforços de contenção e pediram ao governo federal mexicano que imponha restrições.

«É tão importante implementar as medidas necessárias para proteger a saúde da nossa população. E uma delas neste momento deve ser a redução das passagens de fronteira dos Estados Unidos para o México», disse o secretário de saúde de Sonoyta, Enrique Clausen, no início deste mês.

No fim de semana de 4 de Julho, o estado mexicano de Sonora montou postos de controlo para rastrear as pessoas que vinham dos EUA, proibindo a entrada de turistas e de outros, cujo motivo de viagem não foi considerado «essencial».

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Outros estados também criaram estações de controlo de saúde. Um «cordão sanitário» em Mexicali causou atrasos de mais de oito horas, na fronteira com os Estados Unidos. As autoridades apreenderam mais de duas mil latas de cerveja, de acordo coma imprensa local.

O embaixador dos EUA no México, Christopher Landau, pediu que as pessoas se mantivessem quietas. «Nas últimas semanas, centenas de milhares de pessoas atravessaram a fronteira terrestre, 90% das quais são cidadãos dos EUA. Se este tráfego não diminuir, haverá um aumento nas restrições de viagem», garantiu.

De recordar que a fronteira EUA-México deve permanecer encerrada a todos, excepto ao «comércio e viagens essenciais» até ao dia 21 de Julho.

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