O governo espanhol admite a existência de alguns erros e discrepâncias na contagem de mortes em lares, cujos números para já, não são actualizados, de acordo com um documento a que o ‘El Pais’ teve acesso.
Os números deste indicador continuam ainda muito confusos. Segundo o documento, o governo para já mantém as mortes em lares em 27.359, das quais 9.003 têm como causa principal confirmada a Covid-19, mas 9.830 tinham apenas sintomas da infecção e nunca chegaram a ser testados, o que significa que o número pode ser muito superior.
«A qualidade dos dados dificultou a sua divulgação», reconhece o governo de Espanha no documento em questão, que inclui dados até dia 21 de Junho. Numa outra página é possível verificar que existem diversos avisos de falhas na actualização da informação.
«Datas inconsistentes no envio ou relatório de informações»; «Relatórios com ausência de dados sobre as causas de morte dos residentes»; «Erros na soma de residentes em lares»; «Discrepância de dados evolutivos». Esta última frase significa que existem casos em que o número de mortes, em vez de aumentar com o passar dos dias, diminui, um reflexo de uma confusão absoluta, segundo o ‘El Pais’.
O Ministério da Saúde publicou uma ordem a 23 de Março, que obrigava ao «fornecimento de informações de todos os lares públicos ou privados» de Espanha. Isto significa que as comunidades são obrigadas a relatar duas vezes por semana, todas as terças e sextas-feiras, as mortes em lares, tanto dos infectados com Covid-19, como daqueles que apenas têm sintomas da doença.
Como resultado das tentativas da imprensa de recolher esses dados que não foram divulgados pelo governo, sabe-se que os números fornecidos pelas comunidades não são homogéneos e que cada um decide a melhor forma de gerir. Por exemplo, existe quem que não contabilize como residentes falecidos aqueles que morreram em hospitais, mas outros fazem-no, o que acaba por se reflectir numa discrepância de dados.
Duas comunidades espanholas relataram dados ao ministério da saúde apenas uma vez em mais de dois meses. Uma outra nunca o fez, de acordo com o documento a que o ‘El Pais’ teve acesso. Contudo os nomes das comunidades aparecem anónimos, para que não sejam identificados. O ministério reconhece por isso que não existe um «sistema de informações confiável, acessível, sustentável, transparente e comparável que responda às recomendações europeias», em referência ao Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC).




