A Organização Mundial de saúde (OMS) vai enviar uma equipa até à China para investigar as origens da pandemia da Covid-19. Contudo, as autoridades de Pequim consideram que a investigação deve ser mais abrangente e ter em conta outros países, nomeadamente Espanha, avança o ‘The Telegraph’.
Estas declarações parecem surgir como uma tentativa de atenuar as expectativas da missão da OMS, que se encontram demasiado focadas na China, segundo os especialistas.
«Conhecer a fonte do vírus é muito, muito importante», disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, director geral da OMS, ao anunciar a partida da equipa para o país asiático. «Podemos combater melhor o vírus quando soubemos tudo sobre ele, incluindo como é que começou», disse.
Em resposta a estas afirmações, a China adoptou uma postura defensiva. «Não importa em que país começa o trabalho de investigação científica, desde que inclua todos os países relacionados e seja conduzido de forma justa», disse Zeng Guang, epidemiologista chefe do Centro Chinês de Controlo e Prevenção de Doenças, citado pelo jornal chinês ‘Global Times’.
Por sua vez, Wang Guangfa, um dos principais consultores de saúde do governo chinês, também disse à mesma publicação que a OMS deveria dirigir-se a Espanha, visto que vários investigadores de Barcelona detectaram o vírus numa amostra das águas residuais, em Março do ano passado, nove meses antes do inicio em Wuhan.
No entanto, este estudo não reuniu o consenso dos especialistas, que apontaram diversas falhas e contradições. Aquilo com que todos concordam, é que é essencial uma maior compreensão do vírus para evitar futuros surtos. A ida da OMS à China é vista como uma «missão internacional» para explorar as origens da pandemia.
«Estudar toda a ciência disto é difícil, é caro, demora muito tempo», disse Peter Theza, presidente da EcoHealth Alliance, citado pelo ‘The Telegraph’. «Mas vale a pena fazer, porque assim podemos realmente tomar decisões inteligentes que vão permitir salvar vidas no futuro e evitar outra pandemia».
O especialista acrescentou ainda que existem algumas preocupações com as dificuldades em rastrear o vírus, à medida que a questão se torne mais politizada. A China é cada vez mais hostil, devido a crescentes críticas de outros países, incluindo os EUA e a Austrália, que abordam frequentemente diversas «teorias da conspiração», segundo Theza.












