O rápido aquecimento global da região do Ártico, pode derreter o ‘permafrost’ (sub-solo) e assim desencadear vírus há muito tempo adormecidos, congelados há dezenas ou centenas de milhares de anos, avança o ‘Independent’.
Na última quinzena de uma onda de calor devastadora, as temperaturas na Sibéria atingiram um recorde de 38 graus, enquanto isso, vários incêndios encontram-se activos, libertando enormes quantidades de dióxido de carbono para a atmosfera, o que é prejudicial para o clima.
Enquanto que os cientistas estudam se este aumento das temperaturas é a antecipação de uma nova era de calor insuportável no Ártico, o planeta continua a ser dominado pela pandemia mortal de coronavírus. É perante este cenário, que se pode desencadear um novo e surpreendente risco, que une as implicações climáticas do aquecimento global a doenças altamente contagiosas.
Devido ao rápido aquecimento do Ártico, duas vezes mais veloz do que no resto do mundo, o ‘permafrost’ está a derreter pela primeira vez desde a última era glacial, o que pode libertar vírus perigosos, que se encontram congelados há milhares de anos e com os quais os humanos nunca lidaram.
Jean Michel Claverie, virologista da Universidade de Aix-Marselha, disse ao jornal de investigação do ‘Greenpeace Unearthed’: «A ideia de que as bactérias podem sobreviver durante muito tempo é definitivamente real. A questão é durante quanto tempo? Um milhão de anos? 500 mil anos? 50 mil anos?», questiona.
«Existem documentos que dizem que sim, que é possível que as bactérias sejam libertadas do ‘permafrost’ profundo», acrescenta o especialista.
Claverie disse que o risco não se deve apenas ao degelo do ‘permafrost’, mas também ao aumento da actividade humana e animal em áreas que há muito são escassamente povoadas.
«Esta é uma receita para o desastre, porque existem humanos aqui, numa altura em que o vírus está activo. Quando os vírus são libertados do ‘permafrost’ o que acontece? Caem no rio e são expostos à atmosfera e à luz», podendo infectar os humanos, multiplicar a carga viral e iniciar uma nova pandemia, segundo o responsável.



