«Seria do interesse de todos encontrar-se uma saída o mais rápido possível», afirma Sindika Dokolo, marido de Isabel dos Santos, referindo-se à disponibilidade para negociar com as autoridades judiciais angolanas. Em entrevista ao jornalista angolano João de Almeida (rádio MFM), sublinha ainda como a «lei prevê que haja negociações» e que esse cenário também seria bom para o presidente João Lourenço, uma vez que a sociedade civil de Angola começará a sentir que uma «selectividade». Em declarações reportadas pelo jornal Observador, diz que alguns são «completamente impunes» ao passo que outros são «alvo de todos os ataques».
Recorde-se que a 25 de Junho, a procuradoria-geral da República angolana admitiu avançar com um mandado de captura para Isabel dos Santos e que poderá pedir ajuda às autoridades portuguesas. Sindika Dokolo, por seu turno, já tinha sido notificado no dia 18 deste mês de que tinha sido rejeitado o embargo que interpôs ao arresto dos seus bens em Luanda.
Na mesma entrevista, o marido da empresária angolana garante que já tentaram contactar «várias vezes» e por «vários canais» as autoridades angolanas para tentar resolver a questão. «Estou a ver uma justiça portuguesa às ordens da política angolana», afirmou ainda, referindo-se a buscas efectuadas após carta rogatória de Angola.
Sindika Dokolo sublinha também que o casal não tem «interesse em começar polémicas e politiquices». O que querem, por outro lado, é continuar a desempenhar a sua actividade como empresários em Angola. «Achamos que quem está a perder não somos só nós, é também Angola.»
Sindika Dokolo confirma ainda um processo arbitral nos Países Baixos entre a Esperaza, holding de Isabel dos Santos, e o Estado angolano. As autoridades angolanas estarão a tentar alargar o arresto dos bens do casal também nos Países Baixos, através da Galp, indica o Observador.
Na base do processo estará o acordo feito com Américo Amorim para a Esperaza entrar na Galp, a que se seguiur também a entrada de Sindika Dokolo. «Dizem que a minha participação na Amorim Energia é fruto da influência política e que eu fui imposto», lamenta-se.














