Na véspera das audições parlamentares do Sindicato do Ensino Superior (SNESUP) e da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), ambas a pedido do PSD, a ‘Executive Digest’ contactou os dois organismos para aferir que premissas serão defendidas, no âmbito da conclusão do presente ano lectivo e o planeamento do próximo nas instituições de ensino superior, no debate desta terça-feira.
Da parte do SNESUP, na audição será apresentado «o sentimento da comunidade docente em relação ao presente ano lectivo e ao próximo», começou por explicar o seu presidente Gonçalo Velho, à ‘Executive Digest’.
O responsável referiu que tiveram a oportunidade de reunir com a «quase totalidade dos presidentes de politécnicos e reitores, com os presidentes de escolas independentes e também com os presidentes das associações académicas», o que por si só oferece um «panorama muito vasto à cerca do que está acontecer».
«A nossa principal preocupação é o reforço da confiança para o sector, bem como a qualidade», afirma Gonçalo Velho, acrescentando também que «garantir essa qualidade passa por uma necessidade de um reforço de financiamento, uma vez que vai ser necessária a desmultiplicação de turmas, o que acarreta questões, quer do ponto de vista das infraestruturas, quer em necessidades de contratação de pessoal».
Na ótica de António Fernandes de Matos, um dos dirigentes da Fenprof, importa desde logo referir que «este ensino, chamado à distância, não tem nada a ver com o verdadeiro paradigma», sublinhando por isso a necessidade de «alertar para a preocupação da aposta que está a ser feita».
«À boleia de uma situação perfeitamente excepcional, isto enveredou para um pseudo-ensino à distância sem ter sido feito um balanço criterioso daquilo que é o ensino, a relação com os alunos, as implicações para o próprio docente», explicou o responsável à ‘Executive Digest’, considerando que «não existe preparação dos docentes», o que coloca «sérias dúvidas de que os alunos atinjam os objectivos propostos».
Para António Fernandes de Matos acresce ainda o facto de na transição para este novo modelo de ensino, «a academia não ter sido ouvida, nem os vários órgãos pedagógicos», sendo que, «existem uma série de questões que não estão a ser tidas em conta», reforça
O objectivo, segundo o responsável é que «se faça um balanço e se tomem medidas para que em Setembro ou Outubro» as instituições de ensino superior saibam o que fazer. Na sua opinião, mantendo este modelo, «cumprimos a missão, mas a qualidade fica muito abaixo e ninguém se sente realizado ou feliz», defendendo por isso «um plano A e B» com a devida análise profunda da situação.
De sublinhar que a ‘Executive Digest’ tentou entrar em contacto com o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), cuja audição parlamentar será também amanhã, para obter esclarecimentos semelhantes, mas não obteve qualquer resposta.














