O primeiro-ministro defendeu, esta segunda-feira, que «é com pequenos passos que temos de ir devolvendo a normalidade». António Costa falava à saída do Califa, em Benfica, Lisboa, onde tomou o pequeno-almoço, no primeiro dia da segunda fase de desconfinamento, em que restaurantes, cafés e pastelarias reabrem com lotação a 50%.
Costa lembrou que os espaços «não estão a reabrir de qualquer forma». «É o caso deste café [Califa] que tem, logo à entrada, os dispensadores que nos permitem a desinfecção, os acrílicos nas mesas», exemplificou, sublinhando que estes sejam gestos para que «possamos recuperar a liberdade sem perder a segurança».
«Isso é absolutamente fundamental», continuava, defendendo que «não nos podemos esquecer que não podemos voltar à vida como ela era em Fevereiro». «Temos de voltar à vida sabendo que há um vírus, que ele continua aqui e que é uma ameaça para a qual nos temos de proteger a nós e aos outros», lembrou.
António Costa deixou uma palavra de «confiança» aos portugueses. «Têm sido [os portugueses] exemplares na forma como, desde Março, têm batalhado contra este vírus, como ficaram em casa, respeitaram todas as direcções da Direção-Geral da Saúde e é com essa mesma confiança que devem, com todas as cautelas, retomar a sua vida em liberdade», destacou.
«O receio é um bom conselheiro para tomarmos as devidas cautelas», salientou ainda, sublinhando que «depois de não nos termos deixado vencer pelo vírus, não nos podemos deixar vencer pela cura». «Todo o sector da restauração tem tido um grande prejuízo (…), é um grande esforço manter estes postos de trabalho, é uma grande perda de rendimento, há pessoas que estão no desemprego e, se continuarmos parados, sobrevivemos à doença, mas não à cura», avisou.
Portugal regista, neste momento, 1.218 mortes relacionadas com a Covid-19 e 29.036 infectados, segundo o mais recente boletim epidemiológico divulgado pela Direção-Geral da Saúde.
O país entrou no dia 3 de Maio em situação de calamidade devido à pandemia de Covid-19, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de Março. Esta nova fase prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância activa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.
A nível global, segundo um balanço da agência de notícias “France-Presse”, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 313.500 mortos e infectou mais de 4,6 milhões de pessoas em 196 países e territórios. Mais de 1,6 milhões de doentes foram considerados curados.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
*Notícia actualizada às 08:52





