Num armazém discreto em Mem Martins, entre Lisboa e Sintra, cerca de 40 pessoas trabalharam durante vários dias para digitalizar os exames nacionais do 11.º e 12.º anos. Foi ali que foram encaminhadas as provas realizadas no continente, antes de seguirem em formato digital para os professores classificadores.
De acordo com a Renascença, o Ministério da Educação garante que não há exames perdidos e que qualquer problema de digitalização pode ser corrigido a qualquer momento. A tutela assegura também que todo o processo decorre num ambiente controlado, com segurança, videovigilância e intervenção apenas de pessoas ligadas ao Ministério da Educação.
A visita ao espaço decorreu esta segunda-feira, 6 de julho, com a presença do ministro da Educação, Fernando Alexandre, do secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, e do presidente do EduQa. Foi a primeira vez que jornalistas tiveram acesso ao local onde decorreu a operação de digitalização dos exames nacionais.
Milhões de folhas processadas desde 16 de junho
Segundo a Renascença, cerca de 300 mil exames nacionais do 11.º e 12.º anos passaram por este centro de digitalização. O número traduz-se em milhões de páginas, já que cada prova pode ter várias folhas. O presidente do EduQa deu como exemplo o exame de Matemática, que tem cerca de 16 folhas, o que ajuda a perceber a dimensão da operação.
Os exames começaram a chegar ao armazém desde 16 de junho, data do primeiro exame do calendário, o de Português. A partir daí, as equipas trabalharam sete dias por semana, das 8h00 às 22h00, para garantir que as provas fossem preparadas, digitalizadas e encaminhadas para classificação.
Os exames foram transportados até Mem Martins pelas forças de segurança. Chegaram organizados e catalogados por origem, para permitir o controlo de todo o processo. Antes da digitalização, cada prova teve de ser preparada para garantir que podia ser corretamente processada.
Ao longo do espaço, foram instalados vários equipamentos de digitalização. Luís Santos, presidente do EduQa, explicou aos jornalistas que os aparelhos podem parecer domésticos, mas são profissionais. Cada um custou três mil euros e foi comprado com verbas do Plano de Recuperação e Resiliência destinadas à avaliação digital.
O EduQa adquiriu mais de 70 equipamentos, embora nem todos tenham sido utilizados. A compra incluiu unidades adicionais para prevenir eventuais falhas técnicas durante o processo.
A principal fase de digitalização já estava concluída no momento da visita, motivo pelo qual algumas salas se encontravam vazias. No piso inferior, permaneciam os exames devidamente acondicionados em envelopes e prateleiras, separados por zonas do país.
Ministério garante que “os exames estão todos” no local
Fernando Alexandre garantiu que todos os exames se encontram no espaço de Mem Martins. O ministro sublinhou que o armazém é um local controlado e vigiado, onde o manuseamento das provas foi feito essencialmente por professores do Júri Nacional de Exames. Em alguns momentos, colaboradores do EduQa reforçaram as equipas.
Quando é identificado um erro numa digitalização, o sistema permite localizar rapidamente o envelope correspondente, recuperar a prova, repetir o processo e voltar a colocá-la na plataforma que distribui os itens aos professores classificadores.
A tutela tem insistido que não há exames desaparecidos e que o modelo permite retificar situações sempre que sejam reportados problemas.
O armazém de Mem Martins tem também uma ligação histórica ao processo dos exames. O espaço pertenceu ao antigo Editorial do Ministério da Educação e Ciência e, até ao ano passado, ainda ali existiam máquinas usadas para imprimir provas.
Este ano, os exames passaram a ser impressos pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda. O centro de Mem Martins foi, por isso, usado sobretudo para a nova fase digital do processo: receber, organizar e digitalizar as provas antes da classificação.
A visita terminou junto das equipas que trabalharam no local, incluindo professores que se dirigiam a uma antiga cantina para aquecer os almoços que tinham levado de casa. Para o presidente do EduQa, o momento teve caráter inédito: aquele processo nunca tinha sido mostrado publicamente.








