Férias sim, mas com contas feitas: portugueses cortam orçamento e privilegiam Portugal

Mais recente estudo “Férias 2026” do Observador Cetelem, centro de estudos sobre consumo do BNP Paribas Personal Finance em Portugal, revela que 78% dos inquiridos já têm férias marcadas este ano

Francisco Laranjeira

As férias continuam a ser uma prioridade para os portugueses, apesar do contexto económico desafiante. O mais recente estudo “Férias 2026” do Observador Cetelem, centro de estudos sobre consumo do BNP Paribas Personal Finance em Portugal, revela que 78% dos inquiridos já têm férias marcadas este ano, embora a maioria esteja a adaptar os planos para manter o controlo do orçamento.

O estudo mostra um consumidor mais prudente, mas ainda determinado em preservar os períodos de descanso. O orçamento médio previsto para as férias situa-se nos 861 euros, abaixo dos 967 euros registados no verão do ano passado e bastante distante dos 1.353 euros observados antes da pandemia, no verão de 2019. A diferença representa uma queda de 37% face ao período pré-pandémico.

Perante esta pressão financeira, quase três em cada dez portugueses admitem cortar gastos nas férias. Mais de metade dos inquiridos, 57%, impôs um limite às despesas, fixando-as abaixo dos 1.000 euros, enquanto apenas 17% tencionam gastar mais de 1.500 euros. Ao mesmo tempo, 48% tentarão manter o mesmo nível de consumo do último ano e só 12%, sobretudo jovens entre os 18 e os 24 anos, perspetivam gastar mais.

A inflação surge como o principal fator a condicionar as decisões sobre férias, sendo apontada por 39% dos inquiridos. Seguem-se a intenção de poupar, referida por 36%, o aumento dos combustíveis, com 35%, e as limitações do próprio orçamento, mencionadas por 31%.

A maioria dos portugueses continua a financiar as férias com recursos próprios. Segundo o Observador Cetelem, 54% recorrem ao salário ou ao subsídio de férias e 49% utilizam poupanças acumuladas. Ainda assim, 16% admitem usar soluções de crédito, incluindo 12% através de cartão de crédito e 2% com recurso a crédito pessoal.

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Na distribuição do orçamento, os custos fixos continuam a absorver a maior parte da despesa. O alojamento representa 32% da fatura prevista, seguido da alimentação, com 29%. Os transportes correspondem a 21% do orçamento, deixando apenas 18% disponíveis para atividades de lazer, entretenimento e outros extras.

Para fazer render o dinheiro disponível, os portugueses estão a ajustar escolhas. Entre as principais estratégias estão a redução de gastos em atividades e restauração, referida por 28%, a escolha de alojamentos mais económicos, com 27%, e a desistência de viajar para fora do país, apontada por 21%.

Ainda assim, viajar continua nos planos de uma parte significativa da população. Entre os 66% de portugueses que pretendem fazê-lo, 44% planeiam passar férias exclusivamente em Portugal, 30% vão optar apenas pelo estrangeiro e 21% pretendem combinar destinos nacionais e internacionais.

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A escolha do destino revela diferenças geracionais. As viagens ao estrangeiro são mais impulsionadas pelos jovens entre os 18 e os 34 anos, enquanto as faixas etárias entre os 35 e os 74 anos assumem maior peso no turismo nacional. Para as famílias e consumidores mais velhos, Portugal mantém-se como destino dominante, associado a maior previsibilidade, controlo de custos e proximidade.

Também o calendário mostra comportamentos distintos. No plano geral, 64% dos inquiridos continuam a concentrar o período de descanso no verão, entre junho e setembro, com agosto a manter-se como o mês mais escolhido, reunindo 34% das preferências. Os jovens entre os 18 e os 34 anos contrariam parcialmente esta tendência, distribuindo mais as férias ao longo do ano.

A duração típica das férias continua a ser de duas semanas, opção indicada por 53% dos inquiridos. No alojamento, o conforto mantém peso relevante: a hotelaria é a preferência de 43% dos portugueses, seguindo-se o Alojamento Local, com 24%, o arrendamento de moradias ou apartamentos, com 19%, e a estadia em casa de familiares, também com 19%.

Os dados do Observador Cetelem apontam, assim, para um verão em que os portugueses não abdicam das férias, mas viajam com mais contas feitas. A prioridade ao descanso mantém-se, mas o orçamento condiciona destinos, alojamento, duração, restauração e atividades. Entre a vontade de sair e a necessidade de poupar, as férias de 2026 confirmam um consumidor mais seletivo, mais atento aos preços e mais racional na forma como planeia o descanso.

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