A defesa de Luigi Mangione, acusado de assassinar o CEO de uma seguradora de saúde norte-americana em 2024, vai alegar distúrbios mentais extremos no seu julgamento estadual por homicídio, indicou hoje o juiz Gregory Carro.
O juiz afirmou que os advogados de Mangione o informaram de que tentarão demonstrar que este sofria de uma “perturbação emocional extrema no momento da ocorrência”, a 04 de dezembro de 2024.
Se forem bem-sucedidos, Mangione poderá ser enviado para uma instituição de tratamento psiquiátrico em vez de ser condenado a uma pena de prisão.
Mangione, de 28 anos, declarou-se inocente das acusações estaduais e federais relacionadas com a morte de Brian Thompson, que assumia na altura o cargo de diretor executivo (CEO) da UnitedHealthcare.
O início do julgamento federal, que inclui acusações de perseguição, deverá começar a 13 de outubro. Mangione poderá passar o resto da vida na prisão se for condenado em qualquer um dos processos.
A decisão do juiz Gregory Carro surgiu duas semanas depois de ter realizado uma audiência secreta sobre o assunto a pedido da defesa. O juiz disse que irá retirar o sigilo dos registos relativos à audiência e ao pedido da defesa para apresentar alegações do foro psiquiátrico.
“As razões para o sigilo foram dar à defesa a oportunidade de determinar se iria avançar com essa defesa e qual seria a natureza dessa defesa”, afirmou Carro.
Karen Friedman Agnifilo, advogada de Mangione, disse que a divulgação da transcrição da audiência secreta e dos materiais relacionados com a sua defesa, sustentada em alegações psiquiátricas, irá prejudicá-lo no processo federal.
“A razão pela qual pedimos o sigilo é que esta defesa não está disponível a nível federal e Mangione está a ser processado federalmente. Isto é prejudicial para a sua defesa exatamente aos mesmos factos”, disse Friedman Agnifilo.
O juiz deveria pronunciar-se sobre a questão na terça-feira, mas adiou a decisão por um dia porque os procuradores não informaram a prisão onde Mangione se encontra, pois é necessária a presença do arguido em tribunal.
Hoje, Mangione esteve sentado junto dos seus advogados, vestindo um fato azul e uma camisa clara com botões, segundo relataram as agências internacionais.
O início do julgamento estatual está previsto para 08 de setembro.
Thompson, de 50 anos, foi morto quando se dirigia a um hotel em Manhattan para a conferência anual de investidores do UnitedHealth Group.
Imagens de videovigilância mostraram um atirador mascarado a disparar-lhe pelas costas. A polícia indicou que as palavras “delay” (“adiar”), “deny” (“negar”) e “depose” (“destituir” ou “depor”) estavam escritas nas munições, imitando uma expressão usada para descrever como as seguradoras evitam pagar indemnizações.
Mangione, licenciado por uma universidade da Ivy League e oriundo de uma família abastada de Maryland, foi detido cinco dias depois num restaurante McDonald’s em Altoona, Pensilvânia, cerca de 370 quilómetros a oeste de Manhattan.
Na audiência de 18 de maio, o juiz Gregory Carro decidiu que uma arma e um caderno que, segundo os procuradores, ligam Mangione ao homicídio podem ser utilizados como prova contra ele.
Segundo os procuradores, a arma, uma pistola impressa em 3D, corresponde à utilizada para matar Thompson.
As mesmas fontes relataram que o caderno descreve o desejo de “eliminar” um executivo de uma seguradora de saúde e de se revoltar contra “o cartel mortal dos seguros de saúde movido pela ganância”.
Também hoje, o magistrado arquivou uma acusação relacionada com um carregador de arma que tinha considerado inadmissível por ter sido encontrado durante uma busca inicial à mochila de Mangione no restaurante onde foi detido.




