A chamada efetuada por Jonathan Andic para o número de emergência 112 momentos após a queda mortal do pai, Isak Andic, fundador da Mango, foi divulgada esta semana, e traz novos detalhes sobre um dos casos mais mediáticos dos últimos meses em Espanha. O incidente ocorreu a 14 de dezembro, na localidade de Collbató, na província de Barcelona, e continua a estar no centro de uma investigação judicial.
Num áudio divulgado pela rádio pública catalã Catalunya Ràdio, cuja autenticidade foi confirmada por fontes ligadas à defesa, ouve-se Jonathan Andic a pedir ajuda às autoridades poucos minutos depois do sucedido. Segundo a investigação, a chamada foi efetuada apenas cinco minutos após a queda fatal do empresário.
“Meu pai caiu”, diz Jonathan Andic à operadora do 112. Durante a conversa, explica que acredita que o pai “caiu por uma ravina” e fornece a localização do acidente, identificando a zona do caminho que conduz às grutas de Salnitre, na montanha de Montserrat, nos arredores de Barcelona.
A operadora procura recolher mais informações sobre a situação e questiona a idade da vítima. Jonathan Andic responde que o pai tinha 71 anos e, visivelmente abalado, volta a pedir auxílio. Entre soluços, insiste na urgência da intervenção das equipas de socorro, levando a operadora a transferir imediatamente a chamada para os Bombeiros da Generalitat da Catalunha.
Divulgação surge em plena controvérsia sobre mensagens enviadas ao pai
A divulgação deste áudio acontece poucas horas depois de terem vindo a público mensagens trocadas entre Jonathan Andic e o pai meses antes da morte de Isak Andic, comunicações que estão agora a ser analisadas pela acusação no âmbito do processo.
De acordo com informações reveladas recentemente, uma das mensagens enviadas por Jonathan Andic em julho de 2025 referia-se às dificuldades existentes na relação entre ambos e ao processo de terapia familiar que estavam a realizar. Numa dessas comunicações, o filho do fundador da Mango escreveu: “Não me admira que pensasses que eu era capaz até de te matar”.
Noutra mensagem recuperada pelas autoridades, Jonathan Andic afirmava: “Compreendo que era impossível sanar a nossa relação, não me surpreende que a corda se tivesse rompido”.
Segundo a acusação, estas mensagens integram o conjunto de elementos que sustentam a tese de que existia uma relação problemática entre pai e filho, circunstância que a Procuradoria considera relevante para compreender o contexto do caso.
Defesa fala em linguagem terapêutica e acusa interpretações fora de contexto
Face à repercussão gerada pelas mensagens, a defesa de Jonathan Andic reagiu através de um comunicado enviado à agência Efe, rejeitando as interpretações que têm sido feitas sobre o conteúdo dessas conversas.
Os advogados sustentam que as expressões utilizadas foram retiradas do contexto em que surgiram e que devem ser analisadas à luz do trabalho terapêutico que pai e filho desenvolviam na altura.
Segundo a defesa, as referências à morte do progenitor não tinham um significado literal, mas sim simbólico e metafórico, enquadrado nas sessões de terapia psicanalítica que ambos frequentavam.
A equipa jurídica considera que as conclusões retiradas a partir dessas mensagens distorcem o seu verdadeiro significado e argumenta que se tratam de expressões comuns em determinados processos terapêuticos. No comunicado, os advogados acusam mesmo algumas interpretações de “deturparem a verdade”, defendendo que as referências devem ser entendidas como parte de um “paradigma da terapia psicanalítica”.
Investigação continua a gerar novas revelações
A divulgação da chamada para o 112 constitui mais um desenvolvimento num processo que continua a atrair forte atenção mediática em Espanha. O áudio agora conhecido mostra Jonathan Andic a contactar os serviços de emergência imediatamente após o acidente e surge numa altura em que a investigação continua a analisar diversos elementos relacionados com a morte de Isak Andic.
O fundador da Mango era uma das figuras mais conhecidas do setor empresarial espanhol e a sua morte provocou grande impacto no país. Nos últimos meses, a investigação tem sido marcada pela divulgação de novos elementos, incluindo mensagens pessoais, documentos e agora o registo da chamada de emergência efetuada pelo filho poucos minutos depois da queda que acabou por revelar-se fatal.








