As autoridades instaladas pela Rússia na Crimeia ocupada restringiram a circulação noturna de motas, scooters e ‘quad’ por considerarem que o ruído dos motores pode ser confundido com drones e interferir com as operações de defesa aérea, avança o ‘Kyiv Post’. A medida começou a ser aplicada esta quarta-feira e ficará em vigor entre as 20h00 e as 06h00.
A restrição foi anunciada por Sergei Aksyonov, dirigente instalado pelo Kremlin na Crimeia, que a classificou como temporária e destinada a proteger instalações militares e outras infraestruturas consideradas importantes. A proibição não se aplica a automóveis nem a veículos de maior dimensão.
“O ruído dos ciclomotores dificulta o trabalho dos sistemas de defesa. Os seus motores soam de forma semelhante aos drones”, escreveu no Telegram Oleg Kryuchkov, conselheiro de Aksyonov. O mesmo responsável acrescentou que “o inimigo está a recrutar os vossos filhos para passeios noturnos”, numa formulação que reforça o clima de suspeição em torno de deslocações civis durante a noite.
A medida surge num momento em que os ataques ucranianos com drones contra a Crimeia ocupada se têm intensificado. Segundo o ‘Kyiv Post’, esses ataques têm visado rotas de abastecimento e contribuído para falhas de combustível na península, onde está também localizada a Frota do Mar Negro da Rússia.
Em Sevastopol, o governador instalado pela Rússia, Mikhail Razvozhayev, afirmou na terça-feira à noite que continuará em vigor um limite de 20 litros de combustível por automóvel nas bombas de abastecimento locais. A limitação confirma a pressão sobre os fornecimentos numa península anexada ilegalmente pela Rússia em 2014 e que Moscovo tem procurado apresentar, durante anos, como destino turístico de verão.
A decisão de restringir motas, scooters e ‘quad’ à noite surge assim num contexto de ataques ucranianos mais frequentes contra rotas de abastecimento, instalações militares e infraestruturas energéticas na Crimeia ocupada. Desta vez, o sinal mais visível dessa pressão não está apenas nos alvos atingidos, mas no facto de até o ruído de um motor civil passar a ser tratado como possível problema para a defesa aérea.







