Trump gasta 12 milhões de euros a renovar piscina do Lincoln Memorial. Dias depois, voltou a ficar verde — e a culpa é de Obama

Obras tinham terminado na semana passada, depois de Donald Trump ter prometido pintar o espaço de “azul bandeira americana”. No entanto, as algas verdes, frequentemente visíveis naquela piscina, reapareceram dias depois da intervenção

Francisco Laranjeira

A Administração Trump criticou Barack Obama depois de a água da piscina refletora do Lincoln Memorial, em Washington, ter voltado a ficar verde poucos dias após a conclusão de uma renovação avaliada em mais de 14 milhões de dólares, cerca de 12,1 milhões de euros, noticia o ‘The Independent’.

As obras tinham terminado na semana passada, depois de Donald Trump ter prometido pintar o espaço de “azul bandeira americana”. No entanto, as algas verdes, frequentemente visíveis naquela piscina, reapareceram dias depois da intervenção.

Em resposta, um porta-voz do Departamento do Interior americano dirigiu críticas à Administração Obama, numa declaração obtida pelo ‘New York Post’. Segundo esse responsável, a tecnologia de nanobolhas usada na renovação terá destruído a proliferação de algas que tem afetado reaberturas da piscina desde 1922.

O mesmo porta-voz afirmou que o caso mais “infame” ocorreu durante a reabertura da piscina no tempo de Obama, quando grandes aglomerados de algas tomaram conta da superfície. Agora, segundo o Departamento do Interior, as algas estarão mortas e a ser aspiradas.

Renovação, algas e troca política

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De acordo com registos federais de contratação analisados pelo ‘New York Post’, a Administração Trump gastou 1,7 milhões de dólares, cerca de 1,5 milhões de euros, num sistema melhorado de filtração por ozono e nanobolhas, destinado a dispersar bolhas de oxigénio e a perturbar a fonte de alimentação das algas.

Katie Martin, diretora de comunicação, disse à ‘CNN’ que as algas tinham permanecido adormecidas durante oito semanas, enquanto as obras decorriam, e que o seu reaparecimento faz parte do processo normal de arranque do sistema.

“Estamos a remover as algas, e as nanobolhas vão manter a piscina e deixá-la livre de algas”, afirmou.

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A Administração Obama também tinha realizado uma grande intervenção no local. Segundo a ‘Associated Press’, citada no texto, foram gastos pelo menos 34 milhões de dólares, cerca de 29,3 milhões de euros, num projeto de reconstrução de dois anos, concluído em 2012, para resolver problemas como água estagnada, fugas e abatimento da estrutura em terrenos dragados do rio Potomac.

Antes das obras mais recentes, a piscina refletora perdia cerca de 16 milhões de galões de água por ano, aproximadamente 60,6 milhões de litros, segundo o Departamento do Interior citado pelo ‘New York Post’. Os tubos subterrâneos que levam a água entre o National Mall e uma estação de filtração próxima também têm fugas, e o Departamento do Interior disse ao ‘New York Times’ que planeia repará-los no outono.

Trump prepara celebração de 4 de julho

Donald Trump destacou a renovação da piscina refletora numa publicação na ‘Truth Social’, associando-a às celebrações previstas para 4 de julho.

O presidente americano anunciou que, no Lincoln Memorial e no Washington Monument, em Washington, será realizado aquilo que descreveu como o mais espetacular comício de Trump, integrado numa “Homenagem à América”.

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Segundo Trump, o evento começará às 19h00 locais e terá como cenário o Lincoln Memorial e a piscina refletora renovada. A celebração deverá incluir mais de 300 elementos de bandas militares, orquestras e unidades cerimoniais, com músicas patrióticas, clássicos americanos e uma lista musical escolhida pelo próprio presidente.

O reaparecimento das algas transformou, porém, a renovação num novo episódio de disputa política em Washington. A Administração Trump defende que está agora a manter efetivamente o espaço, ao contrário de administrações anteriores. Mas a imagem da água novamente verde, poucos dias depois de uma obra milionária, tornou-se difícil de ignorar.

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