Um cidadão português de 56 anos foi detido pela PSP, em Lisboa, para cumprimento de um mandado de prisão internacional emitido pelas autoridades dos Estados Unidos em 2023, no âmbito de uma investigação sobre a alegada venda ilícita de tecnologia americana a países adversários, avançou a ‘CNN Portugal’.
O suspeito é Paulo Alexandre Lopes Vicente, que, de acordo com a investigação, é acusado de conspiração para exportação ilícita de tecnologia americana para a China e para o Irão. Está também indiciado por três crimes de tentativa de exportação ilícita de material sujeito a controlo de exportação.
As autoridades americanas investigavam o português há vários anos. Em causa está a suspeita de que Paulo Vicente terá utilizado a empresa Firstfield Engenharia Sist Segurança LD para adquirir equipamentos e tecnologias nos Estados Unidos, entre outubro de 2014 e março de 2016, alegando que o destino final seria Portugal.
Tecnologia sensível terá passado por empresas de fachada
A investigação sustenta, porém, que o material seria depois encaminhado para entidades iranianas através de empresas de fachada sediadas na China e na Turquia. A ‘CNN Portugal’ refere que os Estados Unidos entendem que este esquema servia para contornar os mecanismos de controlo de exportações aplicados a tecnologias sensíveis.
Entre os equipamentos alegadamente adquiridos pela Firstfield Engenharia Sist Segurança LD estavam componentes laser, sistemas de navegação inercial, equipamentos óticos de precisão e câmaras térmicas de grau militar.
Todos estes materiais estavam sujeitos a licenciamento por parte das autoridades americanas. Segundo a investigação, Paulo Vicente terá prestado informações falsas sobre a utilização e o destino final dos equipamentos para tentar iludir o sistema de controlo de exportações dos Estados Unidos.
Mandado estava sinalizado pela Interpol
A detenção em Lisboa ocorreu na sequência do mandado de prisão emitido pelas autoridades americanas em 2023, que estava sinalizado internacionalmente através da Interpol.
Os próximos passos do processo serão realizados em articulação entre as autoridades nacionais e internacionais competentes.







