Escalada de carteiristas em Portugal: há mais vítimas, menos detenções e grupos atuam durante todo o ano

Os furtos praticados por carteiristas continuam a representar uma preocupação crescente para as autoridades portuguesas.

Executive Digest

Os furtos praticados por carteiristas continuam a representar uma preocupação crescente para as autoridades portuguesas. Nos primeiros cinco meses de 2026, o número de queixas aumentou face ao mesmo período do ano passado, enquanto o número de detenções e de suspeitos identificados diminuiu, num fenómeno que a Polícia de Segurança Pública (PSP) associa à elevada mobilidade e especialização dos grupos criminosos envolvidos.

Segundo dados divulgados pela PSP e citados pela Rádio Renascença, entre janeiro e maio deste ano foram registadas 2.867 participações relacionadas com furtos por carteiristas, mais 212 do que no mesmo período de 2025. Em contrapartida, foram detidas 56 pessoas, menos 13 do que no ano anterior, e identificados 156 suspeitos, menos 16. Em termos percentuais, isto traduz-se numa subida de 7% das ocorrências, acompanhada por uma redução de 18% nas detenções e de 9% nas identificações.

As zonas turísticas, áreas comerciais e interfaces de transporte continuam a ser os locais preferenciais para este tipo de crime, sendo Lisboa, Porto e Algarve as regiões mais afetadas. O subintendente Sérgio Soares explicou que a natureza itinerante destes grupos dificulta a sua localização e interceção. “Estão muito pouco tempo nas cidades onde concretizam os ilícitos. Hoje estão em Lisboa, amanhã estão no Porto e no dia seguinte podem estar em Madrid ou em Barcelona”, afirmou. O responsável acrescenta que o crescimento do turismo em Portugal tornou o país num alvo permanente para estas redes, que anteriormente concentravam a sua atividade apenas em períodos específicos do ano.

De acordo com a PSP, os grupos atuais diferem bastante da figura tradicional do carteirista que atuava sozinho. Hoje predominam células organizadas compostas por três ou quatro elementos, com funções bem definidas. Enquanto alguns distraem a vítima, outro elemento executa o furto e, muitas vezes, existe ainda um quarto membro responsável por garantir a fuga rápida do grupo. Sérgio Soares descreve estas estruturas como organizações altamente especializadas que circulam por vários países europeus à procura de locais com grandes concentrações de pessoas. Os criminosos recorrem frequentemente a esquemas elaborados, como fingirem ser turistas e abordarem as vítimas com mapas ou pedidos de informação para facilitar a distração. O principal objetivo continua a ser o dinheiro vivo transportado por muitos visitantes estrangeiros, mas os telemóveis e os cartões bancários também são alvos frequentes, havendo mesmo situações em que é utilizada tecnologia para exploração posterior dos cartões furtados.

A maioria dos detidos pertence atualmente a grupos oriundos da Europa de Leste, segundo a PSP. O subintendente Sérgio Soares refere ainda que muitos dos suspeitos são reincidentes, havendo indivíduos detidos quatro, cinco ou até seis vezes pela prática do mesmo crime, alguns dos quais já ficaram sujeitos a prisão preventiva. Os grupos são compostos tanto por homens como por mulheres, geralmente com idades entre os 25 e os 45 anos, uma combinação que facilita a dissimulação em ambientes turísticos e urbanos.

Continue a ler após a publicidade

Para responder ao fenómeno, a PSP mantém há oito anos uma equipa especializada sediada na Divisão de Investigação Criminal de Lisboa, dedicada exclusivamente ao combate aos furtos por carteiristas. O trabalho desenvolvido inclui vigilância no terreno, investigação criminal e cooperação internacional com forças policiais de outros países europeus. Paralelamente, a polícia recomenda medidas de prevenção simples mas eficazes, como guardar bens em bolsos interiores, evitar transportar grandes quantias de dinheiro, usar mochilas e malas à frente do corpo e reforçar os fechos com clips ou pequenos cadeados, dificultando assim a ação destas redes criminosas cada vez mais organizadas e móveis.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.