EUA temem que grupo ligado à China tenha acedido à IA da Anthropic: caso tornou-se questão de “segurança nacional”

decisão foi tomada depois de a Anthropic receber uma diretiva do Governo americano invocando razões de “segurança nacional”. Inicialmente, a empresa afirmou que a carta não especificava os motivos concretos das preocupações, mas indicou que estas poderiam estar relacionadas com a possibilidade de ter sido descoberto um método para contornar as proteções do Fable 5

Francisco Laranjeira

O Governo dos Estados Unidos ordenou à Anthropic que suspendesse o acesso de utilizadores estrangeiros aos seus modelos de inteligência artificial mais avançados, Claude Fable 5 e Mythos 5, numa decisão relacionada com suspeitas de acesso por parte de um grupo ligado à China, noticia o ‘El Economista’.

A empresa anunciou na passada sexta-feira a suspensão do acesso aos dois modelos, apresentados nessa mesma semana como a sua tecnologia mais poderosa disponível ao público e especialmente orientada para cibersegurança.

A decisão foi tomada depois de a Anthropic receber uma diretiva do Governo americano invocando razões de “segurança nacional”. Inicialmente, a empresa afirmou que a carta não especificava os motivos concretos das preocupações, mas indicou que estas poderiam estar relacionadas com a possibilidade de ter sido descoberto um método para contornar as proteções do Fable 5.

Modelos avançados com salvaguardas de segurança

O Claude Fable 5 e o Mythos 5 foram lançados com medidas de segurança destinadas a limitar utilizações maliciosas, sobretudo em áreas sensíveis como cibersegurança, biologia ou química.

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Segundo o texto, estas proteções restringiam respostas a determinadas perguntas e encaminhavam alguns pedidos para um modelo de inteligência artificial menos poderoso. Ainda assim, as capacidades dos modelos tornaram-se suficientemente relevantes para suscitar preocupação entre as autoridades americanas.

Fontes ligadas à Anthropic e à administração Trump disseram à Semafor, citada pelo ‘El Economista’, que a ordem do Governo foi motivada, em parte, por suspeitas de que um grupo associado à China tivesse acedido às capacidades do Claude Mythos e da sua versão de consumo, o Fable 5.

Washington receia que tecnologia seja copiada

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O receio das autoridades americanas passa pela possibilidade de as capacidades do Mythos caírem nas mãos de atores estrangeiros, incluindo o Governo chinês.

De acordo com essas fontes, a administração Trump teme ainda que a China possa usar o modelo para fazer engenharia inversa e tentar copiar as suas capacidades avançadas na área da cibersegurança através de processos de aperfeiçoamento tecnológico.

A Casa Branca não confirmou oficialmente estas informações. Ainda assim, David Sacks, assessor do presidente Donald Trump, afirmou na rede social X que “um parceiro de confiança” que testava o Fable 5 tinha descoberto uma “brecha” nas medidas de segurança do modelo.

Segundo Sacks, essa falha teria permitido, através de um processo de escalada de privilégios, eliminar salvaguardas impostas pela Anthropic e aceder às capacidades completas do Mythos, incluindo funcionalidades que poderiam criar riscos de segurança se fossem usadas por atores mal-intencionados.

Anthropic rejeita leitura do Governo

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A Anthropic contestou esta interpretação numa publicação no seu blogue sobre a diretiva, defendendo que nenhum fornecedor de modelos consegue atualmente garantir resistência perfeita a tentativas de jailbreak.

A empresa sublinhou que todas as medidas de segurança utilizadas pela indústria continuam vulneráveis a ataques não universais, isto é, métodos específicos capazes de contornar certas proteções em determinadas circunstâncias.

Um porta-voz da Anthropic disse ainda à Semafor que o Governo americano não mencionou a China nas conversas sobre a necessidade de impedir utilizadores estrangeiros de acederem aos seus modelos.

O caso surge depois de, também na semana passada, um investigador de cibersegurança ter afirmado que conseguiu contornar os filtros do Fable 5 em menos de 48 horas. Segundo essa alegação, foram usadas técnicas de decomposição multiagente e decomposição e recomposição de backend para obter informação sensível relacionada com hacking e processos químicos proibidos.

O episódio expõe uma tensão cada vez mais visível no desenvolvimento da inteligência artificial: quanto mais poderosos se tornam os modelos, maior é a pressão dos governos para limitar o acesso a tecnologia que pode ser vista simultaneamente como ferramenta económica, vantagem estratégica e risco de segurança nacional.

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