Médio Oriente: Acordo de paz não apaga impacto da guerra em África, indica Consultora

A consultora Oxford Economics considerou hoje que o acordo de paz no Médio Oriente não apaga os efeitos da guerra nos países africanos nem vai fazer o continente regressar ao ritmo de crescimento anterior aos ataques na região.

Executive Digest com Lusa

A consultora Oxford Economics considerou hoje que o acordo de paz no Médio Oriente não apaga os efeitos da guerra nos países africanos nem vai fazer o continente regressar ao ritmo de crescimento anterior aos ataques na região.


“A assinatura do acordo ainda precisa de se traduzir na prática, o que significa que o acordo entre o Irão e os EUA não pode traduzir-se automaticamente em alterações concretas às nossas previsões de inflação e de crescimento do PIB real, nem num regresso às nossas previsões anteriores à guerra”, escrevem os analistas do departamento africano desta consultora britânica.


Num comentário ao acordo alcançado no domingo entre os EUA e o Irão, a Oxford Economics escreve que há três aspetos que vão influenciar o impacto nos países africanos: “o ritmo a que o tráfego através do estreito é retomado; a medida em que os danos nas infraestruturas energéticas e portuárias irão limitar o fluxo das exportações de energia; e a evidência de que uma trégua duradoura é uma condição para que as exportações de energia e de produtos refinados atinjam o seu pleno potencial”.


Apesar do anúncio do acordo de paz e da abertura da navegação pelo estreito de Ormuz, a Oxford Economics alerta que o impacto não será imediato: “Mesmo que o estreito abra imediatamente e os navios o atravessem rapidamente, é provável que África enfrente um duplo atraso na obtenção tanto de petróleo bruto como de produtos petrolíferos refinados”.


Além disso, apontam ainda, há também o problema de congestionamento da passagem devido ao número de petroleiros que previsivelmente vai querer atravessar o estreito, com África a ter de ombrear com os outros países mais ricos pelas encomendas.

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“Em conjunto com a concorrência pelas cargas disponíveis e a desvantagem de compra dos compradores africanos, as nações poderão ainda enfrentar escassez muito tempo depois de o transporte marítimo através do estreito ser retomado”, alerta a Oxford Economics.


No comentário, os analistas escrevem também que como as épocas de plantio “coincidiram com preços elevados dos fertilizantes e dos combustíveis”, há o risco de queda da produção e do consumo das famílias, o que, aliado ao El Niño previsto ainda para este ano, poderá manter a inflação elevada até 2027.


O comentário dos analistas surge na semana seguinte a uma revisão em baixa do crescimento previsto para a África subsaariana pelo Banco Mundial, especificamente devido aos impactos nos países africanos da guerra no Médio Oriente.

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O Banco Mundial prevê um crescimento de 4%, abaixo dos 4,3% previstos em janeiro, devendo a economia da África subsaariana em 2027 e 2028 acelerar ligeiramente para 4,4% e 4,5%, o que compara com os 4,1% registados no ano passado.

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