Exames nacionais: Mais de 5.000 agentes das forças de segurança mobilizados para garantir operação

A primeira fase dos exames nacionais arranca esta terça-feira envolta numa das maiores operações logísticas do sistema educativo português, mobilizando mais de 5.000 elementos das forças de segurança, milhares de professores, centenas de escolas, a Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) e mais de 166 mil alunos.

Revista de Imprensa

A primeira fase dos exames nacionais arranca esta terça-feira envolta numa das maiores operações logísticas do sistema educativo português, mobilizando mais de 5.000 elementos das forças de segurança, milhares de professores, centenas de escolas, a Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) e mais de 166 mil alunos. Este ano, a realização das provas decorre sob novas regras, sendo marcada pela digitalização integral dos exames do ensino secundário, uma alteração que aumentou significativamente a complexidade de todo o processo e obrigou à adaptação dos procedimentos de transporte, recolha e tratamento das provas.

Segundo uma investigação publicada pelo jornal Público, a operação envolve mais de 300 mil provas apenas na primeira fase dos exames e exige um calendário rigoroso que se prolongará até ao final de Julho. A PSP revelou ao jornal que a centralização da digitalização das provas introduziu um “grau acrescido de complexidade”, obrigando a um reforço das deslocações para o distrito de Lisboa. A força policial já credenciou 1.172 agentes para esta missão, enquanto a GNR recorda que no ano letivos anterior mobilizou 3.863 militares e 2.034 viaturas, admitindo que o número será superior este ano devido às múltiplas viagens necessárias para garantir a nova operação.

A principal novidade consiste na digitalização de todas as provas realizadas pelos alunos do ensino secundário. Depois de concluídos os exames, os cadernos de respostas deixam de seguir os circuitos tradicionais e passam a ser encaminhados para um centro de digitalização localizado em Mem Martins, no distrito de Lisboa. A PSP confirma que serão realizadas diversas deslocações às instalações da INCM para assegurar a entrega, digitalização e posterior devolução das provas. Esta mudança surge após o modelo ter sido testado no exame de Filosofia no ano passado, sendo agora alargado à generalidade das disciplinas.

Apesar das garantias dadas pelas autoridades educativas e pelas forças de segurança, o novo modelo tem gerado dúvidas e críticas entre professores e dirigentes escolares. O movimento Missão Escola Pública acusa o Ministério da Educação, Ciência e Inovação de falta de transparência, questionando a ausência de informações sobre quem procederá à digitalização dos exames, onde exatamente decorrerá o processo e quais os mecanismos de segurança adotados. A organização apresentou mesmo uma exposição à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA), alegando que continuam por esclarecer aspetos considerados essenciais para a salvaguarda do anonimato e da confidencialidade das provas.

O sistema prevê que cada caderno de respostas seja identificado através de um QRCode e de um número único que acompanha todo o percurso do exame. Estes identificadores permitem associar a prova ao aluno nos sistemas do Júri Nacional de Exames, garantir a anonimização durante a classificação e controlar eventuais extravios. Após a digitalização, as respostas são introduzidas numa plataforma eletrónica onde parte da correção é automatizada para perguntas de escolha múltipla, enquanto os itens de desenvolvimento continuam a ser avaliados por professores classificadores. Estes docentes não terão acesso à identidade dos alunos nem poderão corrigir provas de estudantes das escolas onde lecionam.

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Quando o processo de classificação estiver concluído, as provas físicas regressarão às escolas novamente sob escolta das forças de segurança. Os resultados da primeira fase serão conhecidos a 10 de Julho e as pautas afixadas quatro dias depois. Nas regiões autónomas, a PSP assegura igualmente toda a operação, incluindo viagens aéreas entre ilhas sempre que necessário. Ao longo de cerca de 35 dias, PSP e GNR percorrerão milhares de quilómetros para garantir que nenhuma etapa falha numa operação da qual dependem não apenas as classificações finais de milhares de alunos, mas também o acesso ao ensino superior.

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