A inteligência artificial começa a entrar numa das decisões de consumo mais relevantes para muitas famílias: a compra de automóvel. Um novo estudo do Standvirtual sobre hábitos de mobilidade e compra de automóveis revela que 69% dos portugueses admitem recorrer a ferramentas de IA para apoiar a escolha do próximo carro.
No total, 19,7% dos inquiridos afirmam que tencionam utilizar IA neste processo, enquanto 48,88% admitem essa possibilidade. Já 31,42% rejeitam recorrer a estas ferramentas na compra da próxima viatura.
Os dados mostram que a digitalização do mercado automóvel está a entrar numa nova fase. Depois da afirmação dos canais online na pesquisa e comparação de modelos, a IA surge agora como uma ferramenta potencial para ajudar os consumidores a filtrar opções, comparar características, avaliar custos e tomar decisões com maior informação.
Jovens mostram maior resistência à IA
Apesar da abertura geral, o estudo identifica diferenças relevantes entre gerações. Os consumidores mais jovens, entre os 18 e os 27 anos, são os que mostram maior resistência ao uso de IA na compra automóvel. Neste grupo, 42,11% dizem que não pretendem recorrer a estas ferramentas, 26,32% afirmam que tencionam utilizá-las e 31,58% admitem essa possibilidade.
A abertura é mais expressiva nas faixas etárias seguintes. Entre os 28 e os 43 anos, 20,18% dos inquiridos tencionam usar IA, 49,78% consideram essa hipótese e 30,04% rejeitam-na. Já no grupo dos 44 aos 59 anos, 18,75% afirmam que vão recorrer à IA, 49,98% mostram-se disponíveis para o fazer e 31,87% afastam essa possibilidade.
Para Miguel Lucas, Head of Go-To-Market Product do Standvirtual, os resultados mostram que a IA está a ganhar espaço na decisão de compra automóvel, oferecendo aos consumidores mais informação e confiança. O responsável considera que esta tendência pode trazer novo dinamismo ao mercado, tornando-o mais transparente e eficiente.
Carro próprio continua central em Portugal
O estudo mostra também que o automóvel mantém um papel dominante na mobilidade dos portugueses. Mais de 93% dos inquiridos afirmam possuir carro próprio e 83,04% consideram que este continuará a ser o principal meio de transporte no futuro.
Os transportes públicos surgem muito atrás nesta projeção. Apenas 8,98% dos entrevistados acreditam que terão um papel dominante nos próximos anos. Já os TVDE são apontados por 2,74% como a principal solução de mobilidade futura.
A ligação ao automóvel começa cedo. A maioria dos portugueses inquiridos adquiriu o primeiro veículo entre os 18 e os 24 anos, num total de 65,87%. Outros 30,93% fizeram-no entre os 25 e os 34 anos.
Troca de carro é adiada pelos custos
Apesar da importância do automóvel, a intenção de troca está a ser mais ponderada. Apenas 7,47% dos participantes pretendem mudar de carro nos próximos seis meses. Outros 22,93% admitem fazê-lo no prazo de um ano.
A maioria, 53,87%, planeia trocar de automóvel no futuro, mas não no curto prazo. Já 15,73% dizem não pretender mudar de carro.
O preço continua a pesar de forma decisiva. Entre as principais razões para adiar ou evitar a compra estão o elevado custo de aquisição, referido por 73,57% dos inquiridos, a incerteza sobre o tipo de motorização, apontada por 33,42%, e os custos de manutenção, destacados por 30,17%.
Na decisão de compra, o preço é o critério mais importante para 85,04% dos portugueses. Seguem-se os gastos mensais associados, com 67,83%, e o tipo de automóvel, referido por 48,38%.
Digital cresce, mas stand físico ainda lidera
O processo de compra também reflete esta transição. Os stands físicos continuam a ser o canal preferido, escolhidos por 48,63% dos inquiridos. Ainda assim, os canais digitais têm cada vez maior peso no mercado automóvel nacional.
Segundo o estudo, 22,69% dos entrevistados optam por stands online e 16,21% por marketplaces. Estes dados mostram que, mesmo mantendo relevância no contacto presencial, o setor automóvel está cada vez mais dependente de plataformas digitais, ferramentas de comparação e novas formas de apoio à decisão.
A combinação entre preço, custos mensais, dúvidas sobre motorizações e abertura à IA revela um consumidor mais cauteloso, mas também mais disponível para usar tecnologia antes de avançar para uma compra. Para o Standvirtual, esta mudança aponta para um mercado mais informado, mais digital e com novas expectativas no processo de escolha automóvel.




