A Igreja Católica em Moçambique condenou hoje o assassínio do bispo de Quelimane, Osório Citora Afonso, que classificou como um “crime gravíssimo”, e exigiu o rápido esclarecimento das circunstâncias da morte pelas autoridades competentes.
“Este ato hediondo não é apenas uma agressão contra uma pessoa, mas uma ferida profunda e atroz infligida no coração da Igreja e na consciência moral do país”, refere uma nota pastoral divulgada hoje pela Conferência Episcopal de Moçambique (CEM).
A igreja manifesta consternação pela morte do prelado, referindo que o caso representa um ataque aos valores da dignidade humana, da paz e da missão pastoral da Igreja Católica em Moçambique.
“Tirar a vida humana é sempre um crime gravíssimo. Atentar contra um Bispo, enviado pela Santa Sé para servir o povo de Deus, torna esta realidade ainda mais ultrajante”, acrescenta a CEM, apelando à responsabilização dos autores e ao aprofundamento das investigações em curso.
“Apelamos com urgência e firmeza às autoridades competentes para que assumam, com responsabilidade e coragem, a tarefa de esclarecer com rigor e celeridade as circunstâncias deste crime hediondo, identificando e responsabilizando os seus autores morais e materiais, quem quer que seja”, lê-se na nota da CEM.
A Igreja considera ainda que o homicídio de Osório Citora Afonso ultrapassa a dimensão religiosa, afetando toda a sociedade moçambicana, recordando o trabalho desenvolvido pelo bispo na promoção da reconciliação, da convivência pacífica e do apoio às comunidades mais vulneráveis.
“É o nosso dever gritar claramente contra este crime de assassinato, contra esta crueldade, contra esta violência brutal”, sublinha a nota pastoral, que exorta igualmente os fiéis a manterem a serenidade, a oração e a confiança na justiça.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, deslocou-se hoje à Nunciatura Apostólica, em Maputo, para apresentar condolências à Igreja Católica e ao Vaticano, considerando a morte do bispo como uma perda para o país, além de reiterar o compromisso das autoridades com o esclarecimento do sucedido.
“Continuamos a trabalhar, as investigações estão em curso para apurar a responsabilidade”, declarou o chefe de Estado, citado em nota da Presidência moçambicana, acrescentando que se trata de uma situação sem precedentes nos 50 anos de independência de Moçambique.
O bispo da diocese de Quelimane e administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, Osório Citora Afonso, foi assassinado a tiro na madrugada de sábado, confirmou a Conferência Episcopal de Moçambique.
Em declarações aos jornalistas no mesmo dia do crime, o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) na Zambézia, Maximino Amílcar, disse que o bispo foi morto na sua residência com uma arma do tipo AK-M por homens que teriam escalado um muro, tendo vandalizado a segurança elétrica e disparado contra o bispo na “parte do peito, no coração”.
Na segunda-feira, a Ordem dos Advogados de Moçambique pediu uma investigação “célere, rigorosa e transparente” sobre o assassínio do bispo de Quelimane, indicando que o crime recorda que ninguém está imune às investidas da intolerância.
Os antigos Presidentes moçambicanos Armando Guebuza e Joaquim Chissano apelaram à rápida responsabilização dos autores do homicídio, enquanto o líder do partido Movimento Democrático de Moçambique (MDM, quarta força parlamentar) criticou a “violência brutal” no país.
O Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SCEAM) pediu reforço de proteção aos líderes religiosos no continente e exigiu respostas das autoridades.
Numa nota da Santa Sé refere-se que o Papa Leão XIV expressou também profunda dor e apelou ao fim dos atos de violência em Moçambique.
A União Europeia (UE) pediu no sábado uma investigação “minuciosa e transparente”, lamentando e mostrando-se profundamente chocada com a morte trágica e violenta.
Membro do Instituto dos Missionários da Consolata, Osório Citora Afonso foi nomeado bispo da Diocese de Quelimane em julho de 2025 e, em abril deste ano, assumiu igualmente as funções de administrador apostólico da Arquidiocese da Beira, por nomeação do Papa Leão XIV, tornando-se uma das principais figuras da Igreja Católica moçambicana.





