Há compras online que acabam esquecidas numa garagem. Outras chegam em forma de tanque militar e trazem dentro uma história de guerra, saque e ouro escondido. Foi isso que aconteceu a Nick Mead, um colecionador britânico de veículos militares, protagonista de uma história recuperada pelo ‘El Economista’ e que parece saída de um filme.
Mead não é um comprador comum. Na sua propriedade em Helmdon, Northamptonshire, no Reino Unido, juntou mais de 150 veículos militares e transformou essa coleção numa espécie de parque de experiências, onde os visitantes podem entrar e andar em tanques e outros veículos de guerra mediante pagamento.
Numa das suas procuras por novas peças para a coleção, o britânico encontrou no eBay um antigo tanque ligado à invasão do Kuwait, na década de 1990. O veículo terá custado cerca de 36 mil euros e seria um T-69, versão chinesa do soviético T-54, que acabou ao serviço do exército iraquiano.
Mas o verdadeiro valor da compra não estava à vista. Ao inspecionar o veículo com o seu mecânico, Mead abriu o depósito de combustível e encontrou algo que nenhum colecionador espera descobrir dentro de um tanque antigo: cinco barras de ouro escondidas.
O achado teria um peso total de cerca de 25 quilos, com cada barra a rondar os cinco quilos. No total, o tesouro foi avaliado em cerca de 2,5 milhões de euros, um valor que transformaria uma compra invulgar numa das aquisições mais surpreendentes feitas através da Internet.
A explicação provável remete para os saques ocorridos durante a invasão do Kuwait. De acordo com o ‘El Economista’, parte dos bens roubados na época terá sido escondida para evitar represálias, apreensões ou novos roubos, o que ajuda a explicar como um tesouro deste tipo poderia ter ficado oculto num veículo militar durante anos.
Perante a descoberta, Mead não ficou com as barras. Chamou a polícia, que recolheu o ouro e lhe entregou um recibo. A promessa, segundo o relato, era simples: se ninguém reclamasse a propriedade do tesouro, este poderia acabar por ficar nas mãos do colecionador.
Mas a história dificilmente terá um final tão simples. Em casos associados a espólios de guerra, o país vítima do saque pode reclamar os bens como seus. Neste caso, o Kuwait teria argumentos para reivindicar o ouro. Até à publicação do relato original, permanecia por esclarecer se alguém tinha reclamado as barras ou se o colecionador britânico acabou, de facto, milionário.








