As viagens a solo continuam a conquistar cada vez mais adeptos em todo o mundo. Para muitos viajantes, partir sozinho representa uma oportunidade de liberdade, descoberta pessoal e contacto mais profundo com novas culturas. No entanto, para quem nunca experimentou este tipo de aventura, o receio da solidão, da insegurança ou simplesmente do desconhecido continua a ser um dos maiores obstáculos.
Foi precisamente sobre este tema que a especialista em viagens Jessica Nabongo, reconhecida por ter visitado todos os países do mundo e autora do livro “Catch Me If You Can: One Woman’s Journey To Every Country in the World”, partilhou algumas das suas principais recomendações durante uma conversa no podcast norte-americano Am I Doing It Wrong?.
Segundo Nabongo, o maior erro que muitos aspirantes a viajantes cometem é pensar que a primeira experiência a solo tem de ser uma grande aventura internacional. Na sua perspetiva, a preparação deve começar muito antes de embarcar num avião.
O primeiro passo não passa por comprar um bilhete
Para Jessica Nabongo, a melhor forma de iniciar uma jornada de viagens a solo é começar por pequenas experiências no dia a dia.
“Primeiro, vá jantar sozinho na sua cidade”, aconselhou. A especialista sugere ainda outras atividades simples, como ir ao cinema, visitar um museu ou passear sem companhia.
O objetivo é habituar-se gradualmente a realizar atividades sozinho em ambientes familiares e confortáveis. Só depois dessa fase inicial considera que faz sentido avançar para experiências mais ambiciosas.
“Há pequenos passos. Vá ao cinema sozinho. Vá a um museu de arte sozinho. Sinta-se confortável a fazer coisas por conta própria num lugar onde já se sente confortável”, explicou.
Pequenas viagens ajudam a ganhar confiança
Depois de ultrapassada essa fase inicial, Nabongo recomenda viagens curtas e próximas da área de residência.
A especialista descreve estas experiências como uma espécie de “rodinhas de aprendizagem” para quem pretende ganhar confiança antes de se aventurar em destinos mais distantes.
Uma viagem de carro de poucas horas ou uma escapadinha de fim de semana pode permitir que o viajante se familiarize com a sensação de estar sozinho fora do ambiente habitual sem enfrentar desafios excessivos.
A escolha do primeiro destino internacional é decisiva
Quando chegar o momento de viajar para o estrangeiro, Jessica Nabongo aconselha a optar por um país onde exista um elevado grau de conforto e familiaridade.
Na sua opinião, um dos critérios mais importantes é escolher um destino onde a língua falada seja compreensível para o viajante.
“Visite um lugar onde se sinta confiante e confortável”, recomendou.
Esta escolha pode reduzir significativamente o stress associado à adaptação e facilitar a resolução de eventuais problemas durante a viagem.
O alojamento pode definir toda a experiência
Outro dos aspetos destacados pela especialista é a escolha do alojamento.
Jessica Nabongo prefere hotéis porque gosta de ter tudo facilmente acessível e organizado. Ainda assim, reconhece que os hostels continuam a ser uma excelente opção para muitos viajantes a solo, sobretudo para quem procura poupar dinheiro e conhecer novas pessoas.
Segundo explicou, este tipo de alojamento proporciona oportunidades de convívio que podem ajudar a combater a sensação de isolamento frequentemente associada às viagens individuais.
Não esperar pela viagem perfeita
Um dos conselhos mais enfáticos deixados por Nabongo passa por não adiar indefinidamente os planos à espera das condições ideais.
A viajante defende que muitas pessoas acabam por nunca concretizar os seus projetos porque procuram uma experiência perfeita, com todos os detalhes cuidadosamente planeados.
“Encontre algo que esteja dentro do seu orçamento hoje, em vez de adiar uma viagem durante anos porque quer fazê-la de uma forma muito específica”, afirmou.
A especialista acrescentou que a pandemia de covid-19 demonstrou a importância de aproveitar as oportunidades quando elas surgem.
“Se a covid nos ensinou alguma coisa, foi que devemos viver agora”, sublinhou.
O que faz assim que chega a um destino
Apesar de ter uma enorme experiência internacional, Jessica Nabongo mantém uma rotina simples sempre que chega a um novo país.
A primeira preocupação é encontrar o motorista que reservou antecipadamente para a transportar do aeroporto até ao alojamento.
“Não quero estar a tentar perceber os transportes públicos depois de um voo de oito, nove ou dez horas”, explicou.
Segundo a especialista, esta opção permite iniciar a viagem de forma mais tranquila e oferece uma primeira oportunidade para conversar com alguém local e obter informações sobre a cidade.
Planear sem eliminar a espontaneidade
Embora considere importante fazer algumas reservas antecipadas, especialmente em restaurantes, Nabongo não aprecia agendas demasiado rígidas.
Na sua opinião, uma viagem excessivamente programada pode impedir algumas das melhores experiências.
“Muitas pessoas sentem-se mais confortáveis com planos concretos e isso é ótimo, mas também é preciso deixar espaço para a espontaneidade”, afirmou.
A ideia é encontrar um equilíbrio entre organização e flexibilidade, permitindo que surjam descobertas inesperadas ao longo do percurso.
Como lidar com o medo da solidão
Uma das preocupações mais comuns entre quem pondera viajar sozinho é a possibilidade de se sentir isolado.
Para Jessica Nabongo, a melhor estratégia passa novamente por criar confiança gradualmente através de experiências individuais perto de casa.
Além disso, partilha um hábito que utiliza frequentemente durante as suas viagens: fazer refeições ao balcão dos restaurantes.
“Há muitas outras pessoas sozinhas ao balcão e também se pode conversar com o empregado do bar, por isso existe uma conversa quase natural”, explicou.
A especialista acredita que pequenos contactos espontâneos podem transformar completamente uma viagem.
A maioria das pessoas está mais disponível para conversar do que pensamos
Durante a conversa no podcast, foi também recordada a opinião de um psicólogo que participou anteriormente no programa e que abordou a dificuldade que muitos adultos sentem em fazer novas amizades.
Segundo essa perspetiva, as pessoas tendem a sobrestimar a probabilidade de serem rejeitadas em interações sociais e, por isso, evitam iniciar conversas.
Na prática, porém, a realidade costuma ser diferente.
“Muitas pessoas são amigáveis e querem conhecer a sua história. Se conseguir ultrapassar esse bloqueio e falar com a pessoa sentada ao seu lado, coisas realmente interessantes podem acontecer”, foi referido durante o programa.








