Elevador da Glória: Zelensky chamado como testemunha em processo contra a Carris

Ana Paula, funcionária da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, morreu aos 49 anos no acidente do Elevador da Glória. A ação deu entrada na passada segunda-feira no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, mas as entidades visadas ainda não tinham sido notificadas

Revista de Imprensa

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, é uma das testemunhas arroladas pela família de Ana Paula, uma das vítimas mortais do acidente no Elevador da Glória, numa ação judicial em que é exigida uma indemnização superior a um milhão de euros à Carris, à seguradora da transportadora e à empresa responsável pela manutenção do ascensor, a Mntc – Serviços Técnicos de Engenharia, avança o Público.

Além da compensação financeira, o marido e a filha de Ana Paula exigem que a Carris faça um pedido de desculpas público. A família considera que essa medida tem valor simbólico e representa uma forma adequada de compensação moral pelos danos sofridos e de reconhecimento institucional da gravidade do acidente.

Ana Paula, funcionária da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, morreu aos 49 anos no acidente do Elevador da Glória. A ação deu entrada na passada segunda-feira no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, mas as entidades visadas ainda não tinham sido notificadas.

Família fala em quebra de confiança

Na ação, assinada pelos advogados Nuno Pinto Coelho de Faria e Carolina Patinhas, Isaque Adam e a filha sustentam que o acidente abalou a confiança que os utentes depositam na Carris enquanto empresa de transporte público.

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A família defende que os passageiros têm uma expectativa legítima de que os equipamentos usados no transporte de pessoas estejam em condições técnicas adequadas, sejam alvo de manutenção rigorosa, disponham de sistemas de segurança eficazes e sejam fiscalizados de forma contínua pelas entidades competentes.

Segundo o jornal diário, a petição sustenta que a recuperação mínima dessa confiança exige uma resposta pública, clara, institucional e proporcional por parte das entidades responsáveis pela operação, manutenção e tutela do serviço. Para a família, essa resposta não existiu.

O marido e a filha de Ana Paula querem que as entidades responsáveis reconheçam a gravidade do sucedido, assumam o sofrimento causado às vítimas e respetivas famílias e adotem uma postura transparente perante os cidadãos.

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Pedido de desculpas em jornais nacionais

A família pede ao tribunal que obrigue a Carris a publicar um pedido de desculpas de página inteira em jornais diários de circulação nacional, como o ‘Correio da Manhã’ e o ‘Público’, e também num semanário, como o ‘Expresso’.

O pedido abrangeria tanto as edições impressas como as plataformas online. A família quer ainda que o texto da declaração seja previamente apresentado ao tribunal, para que o juiz valide se a formulação é compatível com a finalidade reparadora da medida.

Para os autores da ação, o pedido de desculpas não substitui a indemnização, mas representa uma reparação moral e institucional. O objetivo é que a Carris reconheça publicamente a gravidade do acidente e o impacto causado nas famílias das vítimas.

Porque é que Zelensky é chamado a testemunhar

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Volodymyr Zelensky surge na lista de testemunhas por escrito por ter sido um dos líderes mundiais a apresentar publicamente condolências às famílias e às vítimas do acidente, apesar de liderar um país em guerra com a Rússia.

A família entende que manifestações internacionais de pesar como esta demonstram a dimensão excecional da tragédia. Na leitura dos autores, o acidente ultrapassou largamente o âmbito de um acidente de viação comum ou de outras ocorrências fatais em transportes públicos.

Ao chamar Zelensky como testemunha, a família procura sublinhar o impacto público e internacional do desastre, reforçando a tese de que a tragédia exige uma resposta institucional proporcional.

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