A Porto Business School anunciou o arranque do Centro de Inteligência Turística (CIT) – Porto e Norte, uma infraestrutura considerada pioneira que visa transformar dados dispersos em inteligência estratégica para apoiar a gestão e aumentar a competitividade do setor do turismo.
O projeto representa um investimento de um milhão de euros na conceção, desenvolvimento e implementação de uma plataforma de inteligência turística, no âmbito da Agenda Mobilizadora “Acelerar e Transformar o Turismo”, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
O objetivo do CIT passa por consolidar informação proveniente de múltiplas fontes públicas e privadas, permitindo a geração de análises avançadas, previsões e ferramentas digitais de apoio à decisão para entidades públicas, empresas, destinos turísticos e academia.
Neste contexto, o Turismo Porto e Norte de Portugal assume-se como parceiro estratégico do projeto, garantindo uma ligação direta ao território e ao ecossistema turístico regional. Esta colaboração será determinante para assegurar que a plataforma responde às necessidades concretas da região e apoia uma gestão mais informada, sustentável e integrada do destino.
O desenvolvimento tecnológico ficará a cargo da Ubiwhere, na sequência de um concurso público internacional. A empresa será responsável pela criação da plataforma analítica, modelos preditivos, mecanismos de ingestão e transformação de dados, bem como por um assistente virtual baseado em inteligência artificial generativa.
Entre as funcionalidades previstas estão cerca de 500 indicadores organizados em oito clusters temáticos, pelo menos 10 dashboards interativos, dois casos de uso de modelos preditivos, APIs de integração de dados e um concierge virtual suportado por inteligência artificial.
Para a PBS, o projeto reforça a importância de uma abordagem assente em dados e inteligência artificial aplicada ao território. “O futuro do turismo será cada vez mais decidido pela capacidade de transformar dados em inteligência e inteligência em ação”, afirma José Esteves, sublinhando a ambição de apoiar decisões mais informadas e inovação no setor.
A implementação do CIT está estruturada em quatro fases — descoberta e modelação da solução, seleção e contratualização de fornecedores de dados, desenvolvimento tecnológico e definição do modelo de governação — e terá uma duração estimada de quatro meses.
O projeto inclui ainda mais de 40 horas de formação e transferência de conhecimento, com foco na utilização responsável de dados e inteligência artificial aplicada aos desafios do território.
Segundo Rita Marques, trata-se de “um investimento estratégico” que permitirá melhorar o acesso a informação fiável e atualizada, reforçando a competitividade das empresas e a eficácia do planeamento público.
Já Luís Pedro Martins destaca o impacto estrutural da iniciativa, considerando o CIT “um passo decisivo na transformação do setor turístico da região”, ao capacitar os agentes do turismo com ferramentas de decisão mais sustentadas e orientadas para a sustentabilidade e competitividade.













