As vendas de automóveis elétricos voltaram a acelerar na Europa em abril, mas a fotografia do mercado mostra uma mudança relevante: a Tesla continua a liderar no acumulado do ano, mas já não domina sozinha a conversa. Modelos como o Skoda Elroq e o Renault 5 E-Tech estão a ganhar espaço, enquanto as marcas chinesas aumentam a pressão sobre os fabricantes tradicionais.
Segundo a publicação ‘Diariomotor’, o Skoda Elroq foi o elétrico mais vendido na Europa em abril, com 10.699 novas matrículas e um crescimento de 33%. No acumulado dos primeiros quatro meses de 2026, o SUV compacto checo soma 38.968 unidades, mais 162% do que no mesmo período do ano anterior, ficando apenas atrás do Tesla Model Y.
O Model Y mantém a liderança europeia entre janeiro e abril, com 59.157 unidades matriculadas e uma subida de 67,9%. Mas o ranking começa a revelar um mercado mais distribuído. O Tesla Model 3 aparece no terceiro lugar, com 29.324 unidades, muito perto do Renault 5 E-Tech, que soma 29.121 matrículas no mesmo período.
O Renault 5 é um dos sinais mais interessantes desta nova fase. Em vez de competir apenas pela autonomia ou pela potência, o elétrico francês aposta num formato urbano, numa imagem retro e numa ligação emocional com um nome histórico. Em abril, foi o segundo elétrico mais vendido na Europa, com 8.190 unidades matriculadas e um crescimento de 44%.
A leitura de mercado vai além do ranking de modelos. A ‘Reuters’ noticiou que as vendas de elétricos a bateria nos principais mercados europeus subiram 34,1% em abril, para 201.541 novas matrículas em 15 países. O crescimento foi impulsionado por políticas públicas, preços dos combustíveis e investimento industrial, embora com diferenças significativas entre países.
A Europa surge também como um dos motores globais da procura. A ‘Electrek’, citando dados da Benchmark Mineral Intelligence, avançou que as vendas mundiais de elétricos chegaram a 1,6 milhões de unidades em abril e a 5,6 milhões desde o início do ano. O crescimento global foi mais moderado, mas a Europa destacou-se num momento em que China e América do Norte mostraram sinais de abrandamento.
Há outro dado que ajuda a perceber a pressão sobre o mercado europeu: os automóveis elétricos fabricados na China estão a ganhar peso. Segundo a mesma análise citada pela ‘Electrek’, os veículos construídos na China representavam 19% das vendas europeias de elétricos em 2025 e já chegavam a 22% em 2026.
A BYD é um dos exemplos mais claros dessa ofensiva. A marca chinesa vendeu 135 mil veículos fora da China em abril, mais 70% do que no mesmo mês do ano anterior, atingindo o seu melhor registo internacional. Nos primeiros quatro meses de 2026, as vendas internacionais da BYD chegaram a 456.253 unidades.
Esta mudança ajuda a explicar porque os fabricantes europeus estão a acelerar a resposta. O sucesso do Skoda Elroq mostra que há espaço para SUV elétricos compactos com uma proposta familiar e mais racional. O Renault 5 demonstra que a nostalgia e o desenho ainda podem pesar na decisão de compra. E o crescimento de marcas chinesas como BYD e Leapmotor lembra que o preço continuará a ser uma das armas mais fortes.
A Tesla, por enquanto, continua a ser a referência. O Model Y mantém uma vantagem clara no acumulado do ano e o Model 3 permanece entre os mais vendidos. Mas abril mostrou que o mercado europeu dos elétricos entrou numa fase menos dependente de dois modelos americanos.
A próxima batalha já não será apenas sobre quem tem mais autonomia ou melhor software. Será também sobre quem consegue fazer elétricos que pareçam familiares, tenham preço competitivo, sejam fáceis de justificar no dia a dia e não obriguem o comprador a sentir que está a fazer um compromisso. Na Europa, essa resposta começa a vir de vários lados ao mesmo tempo.




