A energia para o futuro

Para a Freen, o crescimento da energia eólica na Europa reflecte uma mudança estrutural, impulsionada pela descentralização e pelos sistemas híbridos

Executive Digest

Para a Freen, o crescimento da energia eólica na Europa reflecte uma mudança estrutural, impulsionada pela descentralização e pelos sistemas híbridos.

A transição energética está a acelerar na Europa e abre caminho a novos modelos de produção descentralizada, onde a energia eólica, solar e o armazenamento assumem um papel cada vez mais integrado. Em entrevista à Executive Digest, Kate Samedova Sales executive da Freen, analisa as principais dinâmicas do sector, o crescimento da energia eólica e o papel dos sistemas híbridos na construção de uma maior independência e resiliência energética. O investimento no mercado português surge como uma oportunidade estratégica para a empresa, que identifica condições particularmente favoráveis ao desenvolvimento de projectos híbridos de energia renovável ao serviço de empresas e comunidades. 

 

Como é que a Freen vê o actual crescimento da energia eólica a nível global e em toda a Europa, e que factores estão a impulsionar este dinamismo? 

Vemos a energia eólica a entrar numa nova fase. Durante muitos anos, as energias renováveis eram frequentemente debatidas sobretudo numa perspectiva ambiental. Hoje, são cada vez mais encaradas como uma questão de segurança energética, resiliência empresarial e estabilidade económica a longo prazo.  

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Em toda a Europa, empresas, explorações agrícolas e proprietários de habitações procuram formas de reduzir a exposição à volatilidade dos preços da electricidade e à incerteza da rede eléctrica. Ao mesmo tempo, a electrificação está a aumentar a procura de energia fiável. Isto cria um forte impulso para sistemas renováveis descentralizados, capazes de gerar electricidade mais perto do local onde é consumida. 

Os governos e as instituições europeias estão a incentivar cada vez mais os países e os cidadãos a reduzirem a dependência dos combustíveis fósseis e a prepararem-se para futuras incertezas energéticas. À medida que os preços da energia aumentam e as tensões geopolíticas continuam a afectar os mercados globais, a dependência das redes eléctricas centralizadas e das cadeias de abastecimento de combustíveis fósseis é cada vez mais vista como uma vulnerabilidade. 

Para a Freen, esta não é apenas uma questão ambiental, mas também uma questão de resiliência e estabilidade a longo prazo. A Freen desenvolve infra-estruturas que ajudam a reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e a reforçar a independência e a resiliência energética. Os sistemas de energia renovável e descentralizada permitem que pessoas e empresas tenham maior controlo sobre a sua segurança energética, reduzindo a exposição a perturbações externas. 

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Também observamos um interesse crescente em sistemas híbridos, que combinam energia solar, eólica e armazenamento de energia. A energia solar, por si só, não consegue cobrir totalmente a procura energética durante a noite, nos meses de Inverno ou em períodos de baixa radiação solar. A energia eólica tende precisamente a ter melhor desempenho nesses períodos, tornando esta combinação muito mais equilibrada e eficiente ao longo do ano. 

A combinação de pequenas turbinas eólicas com sistemas de armazenamento de energia permite gerar e armazenar electricidade localmente, garantindo acesso à energia não apenas quando as condições são ideais, mas também quando ela é mais necessária. 

 

Quais são actualmente os principais mercados de crescimento da Freen e qual é a importância de países como Portugal na adopção das vossas soluções energéticas? 

O nosso maior crescimento vem dos mercados europeus onde os preços da energia, as limitações da rede eléctrica e os objectivos de sustentabilidade estão a acelerar o interesse por sistemas de energia descentralizados. Observamos um dinamismo particularmente forte em países como a Alemanha, o Reino Unido, os Países Baixos, Espanha e Portugal. 

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Portugal é especialmente interessante para nós porque combina excelentes condições para energias renováveis com metas climáticas ambiciosas e uma crescente consciencialização em torno da independência energética. Ficamos muito satisfeitos por verificar que Portugal oferece excelentes condições de vento para a pequena energia eólica e acreditamos que a Freen-9 (pequena turbina eólica) pode ter um desempenho muito positivo no país como parte de sistemas híbridos de energia renovável. 

Estamos também a preparar a nossa primeira instalação em Portugal, prevista para muito breve, no Centro de Investigação em Sistemas Electromecatrónicos (CISE), na Covilhã, perto da região da Serra da Estrela. Estudos de avaliação do potencial eólico identificaram esta área como uma das localizações do interior mais promissoras de Portugal para sistemas híbridos de energia eólica e solar. Estamos muito entusiasmados por ver como a Freen-9 irá desempenhar-se em condições reais portuguesas. 

Para nós, Portugal não é apenas atractivo pelos seus recursos renováveis, mas também porque as empresas e os proprietários estão cada vez mais interessados em energia estável, produzida localmente. Existe um forte potencial de crescimento a longo prazo em sectores como a agricultura, a hotelaria, os edifícios comerciais e os negócios rurais, onde a procura energética se mantém elevada ao longo de todo o ano. 

 

Portugal tornou-se um dos principais mercados solares da Europa. Porque é que sistemas híbridos de energia solar e pequena energia eólica, como a Freen-9, podem tornar-se especialmente valiosos para o mercado português? 

Portugal já alcançou um crescimento impressionante na energia solar e acreditamos que o próximo passo passa pelo desenvolvimento de sistemas híbridos de energia renovável que combinem energia solar, eólica e armazenamento de energia. 

A energia solar é extremamente valiosa, mas, como todas as tecnologias renováveis, tem limitações naturais relacionadas com as horas de luz solar e as condições sazonais. As pequenas turbinas eólicas podem complementar a produção solar ao gerar electricidade durante a noite, nos meses de Inverno e em períodos em que a produção solar é mais reduzida. E é aqui que os sistemas híbridos ganham especial importância. A energia eólica e a solar complementam-se de forma muito eficaz, criando um perfil energético mais equilibrado e fiável ao longo do ano. 

Acreditamos que a Freen-9 é particularmente adequada para mercados como o português porque foi concebida para condições reais e variáveis de vento. O seu design de eixo vertical permite um funcionamento eficiente perante mudanças na direcção do vento, assim como em ambientes mais turbulentos, algo que pode ser muito importante para instalações descentralizadas junto de edifícios, explorações agrícolas ou espaços comerciais. 

A turbina foi também concebida para funcionar como parte de sistemas híbridos em conjunto com painéis solares e armazenamento de energia, ajudando a melhorar o autoconsumo e a reduzir a dependência dos mercados externos de electricidade. Para muitas empresas e propriedades rurais, isto pode traduzir-se em maior estabilidade energética, menores custos operacionais a longo prazo e maior resiliência em períodos de incerteza energética. 

 

Porque é que as soluções de armazenamento de energia são essenciais para garantir a estabilidade e a eficiência da energia eólica? 

A produção de energia renovável varia naturalmente consoante as condições meteorológicas e a hora do dia. O armazenamento de energia ajuda a transformar as energias renováveis de uma fonte intermitente numa solução energética muito mais estável e controlável. 

Com armazenamento, o excesso de electricidade gerado durante períodos de vento ou de maior exposição solar pode ser utilizado mais tarde, quando a produção diminui ou a procura aumenta. Isto melhora o autoconsumo, reduz a pressão sobre a rede eléctrica e ajuda os utilizadores a dependerem menos dos mercados externos de electricidade. 

Nos sistemas híbridos, o armazenamento torna-se ainda mais valioso porque ajuda a equilibrar diferentes perfis de produção. A energia solar e a eólica complementam-se frequentemente de forma muito eficaz, e as baterias ajudam a optimizar a utilização dessa energia ao longo do dia e das diferentes estações do ano. 

Na Freen, acreditamos que o futuro do armazenamento deve centrar-se não apenas no desempenho, mas igualmente na segurança e na resiliência. Esta é uma das razões pelas quais estamos a investir na tecnologia de baterias de iões de sódio. Sistemas de armazenamento mais seguros e estáveis tornam-se cada vez mais importantes à medida que mais famílias e empresas avançam para a produção descentralizada de energia. 

 

Como é que a Freen vê o seu papel no futuro da energia descentralizada, e qual é a sua visão para o sector energético nos próximos cinco a dez anos? 

O sector energético está a evoluir para um modelo mais descentralizado, no qual a produção, o armazenamento e o consumo estão cada vez mais ligados a nível local. 

Nos próximos cinco a dez anos, esperamos que mais empresas, explorações agrícolas e utilizadores residenciais se tornem produtores activos de energia, em vez de simples consumidores passivos. Os sistemas híbridos de energia renovável, que combinam energia eólica, solar e armazenamento, deverão tornar-se muito mais comuns, sobretudo em regiões confrontadas com congestionamento da rede eléctrica, custos elevados de electricidade ou preocupações relacionadas com a segurança energética. 

A democratização da energia faz parte da missão da Freen desde o início. Acreditamos que pessoas e empresas devem ter maior controlo sobre a forma como produzem e utilizam electricidade, em vez de dependerem totalmente de grandes sistemas centralizados. Esta visão continua a orientar o nosso desenvolvimento. 

O papel da Freen passa, então, por ajudar a acelerar esta transição através do desenvolvimento de tecnologias renováveis concebidas para condições reais e para uma utilização prática a longo prazo. Apostamos em soluções capazes de funcionar de forma eficiente em ambientes descentralizados e de se integrarem em sistemas energéticos híbridos. 

A Europa irá valorizar cada vez mais tecnologias energéticas concebidas e fabricadas localmente. Construir uma infra-estrutura energética resiliente não passa apenas por gerar electricidade renovável, mas também por reforçar a capacidade industrial regional, a independência tecnológica e a segurança energética a longo prazo. 

Na Freen, queremos apoiar activamente esta transição, ajudando empresas, proprietários e comunidades a compreender melhor como os sistemas renováveis descentralizados podem funcionar em condições reais. Estamos sempre disponíveis para partilhar a nossa experiência e fornecer orientação profissional em projectos ligados à pequena energia eólica, sistemas híbridos de energia renovável e soluções de armazenamento de energia. 

Tem alguma dúvida? Contacte-nos: contact@freen.com. 

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