Carros icónicos desaparecem em 2026: Audi, BMW, Honda, Hyundai e Mercedes preparam despedidas

Mercado automóvel atravessa mais um ano de cortes e reorganizações, com várias marcas a retirarem de produção modelos conhecidos devido à pressão das regras de emissões, à baixa rentabilidade de alguns segmentos e à transição acelerada para a eletrificação

Automonitor

O mercado automóvel atravessa mais um ano de cortes e reorganizações, com várias marcas a retirarem de produção modelos conhecidos devido à pressão das regras de emissões, à baixa rentabilidade de alguns segmentos e à transição acelerada para a eletrificação. Audi, BMW, Ford, Honda, Hyundai, Mercedes e Volkswagen estão entre as marcas que já confirmaram o fim de algumas linhas, segundo o ‘El Economista’.

Entre as despedidas mais simbólicas está a da Audi, que vai retirar de cena o A1 e o Q2, marcando o fim dos modelos mais acessíveis da marca alemã. O A1 chegou em 2010 como proposta urbana premium, enquanto o Q2 levou essa lógica para o segmento dos SUV compactos. A marca considera, no entanto, que as margens nestes segmentos são demasiado reduzidas para justificar o investimento exigido, preferindo concentrar-se em modelos maiores e mais rentáveis.

Também a BMW se prepara para encerrar um capítulo importante da sua história. A produção do Z4 terminou em março de 2026, colocando fim a uma linhagem de roadsters que ajudou a construir a imagem desportiva da marca. A despedida inclui uma Final Edition, lançada em janeiro, que deverá ganhar estatuto de peça de coleção.

O fim do BMW Z4 tem ainda outra consequência: arrasta consigo o Toyota GR Supra, já que ambos partilhavam plataforma, motores e produção. A Toyota estará a trabalhar numa nova geração do Supra, mas tudo indica que o modelo terá uma configuração diferente e poderá seguir um caminho eletrificado.

A Honda também prepara uma despedida pesada para os entusiastas. O Civic Type R, um dos compactos desportivos mais emblemáticos das últimas três décadas, chega ao fim na Europa. A combinação de motor de alta rotação, tração dianteira e afinação focada em pista ajudou o modelo a construir uma reputação muito forte, incluindo em Nürburgring. As novas regras de emissões e consumo tornam, porém, cada vez mais difícil manter um automóvel com estas características.

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A marca japonesa lançou uma Ultimate Edition limitada a apenas 40 unidades na Europa, como despedida final. Ainda assim, o nome Type R não deverá desaparecer: a Honda já trabalha num futuro desportivo elétrico inspirado na mesma filosofia.

No segmento urbano, a Hyundai vai descontinuar o i10 a gasolina, reflexo das dificuldades crescentes dos pequenos citadinos com motor de combustão. Durante anos, o modelo destacou-se pelo equilíbrio entre preço, dimensões e equipamento, mas o aumento dos custos e as exigências regulamentares tornaram o seu futuro mais difícil. A fábrica da marca na Turquia está a ser adaptada à produção de veículos elétricos, e o i10 não deverá ter sucessor direto com motor a combustão.

A Volkswagen também está prestes a abandonar uma tradição de décadas: os descapotáveis. O T-Roc Cabriolet deverá deixar de ser produzido em meados de 2027 e, com ele, desaparece o último descapotável do Grupo Volkswagen. A decisão põe fim a uma linhagem que passou por modelos históricos como o Beetle Cabriolet e o Golf Cabriolet, mas que perdeu força num mercado com pouca procura por este tipo de carroçaria.

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Já a Mercedes vai sair do segmento das carrinhas familiares compactas, com o fim da Classe T e das versões eCitan e EQT. A produção deverá terminar em meados de 2026 e não está previsto sucessor. A decisão insere-se numa estratégia de concentração em modelos premium de maior rentabilidade e afeta também a colaboração industrial com a Renault, já que estes modelos partilhavam base técnica com o Renault Kangoo e o Nissan Townstar.

Como sublinha o ‘El Economista’, estas decisões mostram que a eletrificação não é o único fator por trás do desaparecimento de modelos conhecidos. A rentabilidade, a evolução da procura e o custo de adaptação às novas regras europeias estão a redesenhar os catálogos das marcas. Em alguns casos, desaparecem carros de nicho; noutros, são sacrificados modelos acessíveis que já não encaixam nas contas da indústria.

No fundo, 2026 confirma uma tendência clara: o mercado automóvel está a ficar mais concentrado em SUV, elétricos, modelos de maior margem e plataformas globais. Pelo caminho, ficam nomes que marcaram gerações de condutores e entusiastas.

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