O mercado de trabalho no sector de finanças

Este estudo sectorial da Randstad Research compila a informação conjuntural mais relevante sobre o mercado de trabalho no sector de finanças.

Executive Digest

Este estudo sectorial da Randstad Research compila a informação conjuntural mais relevante sobre o mercado de trabalho no sector de finanças.

As principais fontes utilizadas são o Inquérito ao Emprego do INE, os registos do Ministério do Trabalho e da Economia Social do Ministério da Inclusão, Segurança Social e Migrações, e os dados da Eurostat.

O objectivo é oferecer uma visão clara e completa da evolução do mercado de trabalho no sector através de um conjunto de tabelas e gráficos.

Para esta análise sectorial é usada a Classificação Portuguesa das Actividades Económicas, Revisão 3 (CAE Rev. 3) que é um sistema de codificação que organiza a identificação das actividades económicas realizadas em Portugal, facilitando a recolha, análise e divulgação de dados estatísticos.

O sector de finanças está definido pelas actividades financeiras e de seguros é um dos pilares estratégicos da economia portuguesa, classificadas principalmente na secção K da CAE Rev. 3.

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A secção K da CAE Rev. 3, é caracterizada por incluir actividades de serviços financeiros, seguros e gestão de activos, bem como as actividades de apoio que permitem o funcionamento dos mercados e abrange três grandes divisões.

Divisão 64: Actividades de serviços financeiros Esta é a divisão central do sistema bancário e de financiamento. Ela foca-se na obtenção e redistribuição de capitais (intermediação financeira). Inclui a Banca (Bancos Centrais, Bancos Comerciais e de Investimento).

Divisão 65: Seguros, resseguros e fundos de pensões Esta divisão foca-se na gestão de riscos e na protecção financeira a longo prazo, através do mutualismo de riscos (excepto segurança social obrigatória).

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Divisão 66: Actividades auxiliares de serviços financeiros e de seguros Esta divisão engloba as entidades que não “transaccionam” o dinheiro ou o risco directamente para si, mas que facilitam as operações das divisões anteriores. Inclui corretores, gestores de carteiras e actividades de bolsas de valores.

O emprego no sector Finanças

Segundo os dados do INE, do total de empregados em Portugal, o sector de finanças empregou 2,1% dos profissionais no ano 2024, proporção que se manteve estável ao longo do tempo.

Apesar das flutuações sazonais trimestrais, a tendência global do sector foi de expansão, demonstrando uma notável recuperação e passando das 96 mil pessoas em 2021 para 109,8 mil no ano 2024.

No 3Q 2025, houve uma queda no emprego de 1,3%, situando-se em 113,4 mil o número de profissionais.

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A trajectória do emprego no sector financeiro português tem sido marcada por uma transformação profunda e cíclica. Após a Crise da Troika, o emprego atingiu o seu ponto mais baixo em 2013, com 86,5 mil profissionais. Seguiu-se uma fase de recuperação, que culminou num pico atípico no início de 2021, após a pandemia, antes de uma correcção acentuada em 2022.

No ano 2025 o mercado está a entrar numa nova fase de crescimento. O 3.° trimestre encerrou com 113,4 mil profissionais, superando os níveis de 2012, mas não os do 2021.

O sector de finanças caracteriza- se por uma ligeira maior feminização.

No 3Q de 2025, a distribuição do emprego total por género em Portugal revela uma paridade a nível nacional, com 2,71 milhões de homens (51% do total do emprego) e 2,62 milhões de mulheres (49%).

No sector de finanças, as mulheres representam quase 54% do emprego, totalizando 61 mil pessoas e os homens constituem 46% do emprego no sector, com um total de 52 mil pessoas.

Segundo os dados da Eurostat, em Portugal o sector de finanças, com 113,4 mil pessoas empregadas no 3Q de 2025, está formado pelas actividades de serviços financeiros (CAE Rev. 3- K64), de seguros, resseguros e fundos de pensões (CAE Rev. 3- K65) e as auxiliares de servi- ços financeiros e de seguros (CAE Rev. 3- K66).

As actividades de serviços financeiros, com 79,7 mil profissionais acumula a maior parte do emprego do sector, com 70,3% do total.

As trajectórias das actividades dentro do sector financeiro mostram comportamentos distintos, com o ano de 2022 a marcar um período de correcção e ajuste após a pandemia.

O núcleo bancário (serviços financeiros) demonstrou uma boa recuperação após o ano 2022, atingindo no 3.° trimestre de 2025 o seu valor mais elevado. As actividades auxiliares consolidaram um crescimento homólogo de 12,1% no mesmo período. Em contraste, o segmento de seguros, que registou um pico anómalo de crescimento em 2021, estabilizou recentemente nos 19,8 mil profissionais, reflectindo uma correcção face aos máximos registados durante a pandemia.

Ao longo de 13 anos, o sector financeiro em Portugal superou o mínimo histórico do período pós-Troika (2014) para atingir, no 3.° trimestre de 2025, o recorde de 79,7 mil empregados na banca, o valor mais alto de toda a série.

Este percurso foi marcado pela consolidação estrutural das actividades auxiliares, que subiram de patamar a partir de 2018, e por uma anomalia estatística em 2021, que gerou um pico temporário e sem precedentes no sector de seguros antes de este regressar à sua estabilidade histórica.

No 3.° trimestre de 2025, a estrutura do emprego no sector mostra uma predominância de especialistas das actividades intelectuais e científicas (42,9%) e técnicos e profissionais de nível intermédio (28,8%), reflectindo a necessidade de especialização do sector.

Os níveis de gestão e liderança (quadros superiores e dirigentes) constituem uma menor proporção, evidenciando a diversidade de funções e a importância da formação no sector.

Sistema de contas integradas
Estabelecimentos, pessoal ao serviço e remuneração

A evolução do número de estabelecimentos no sector financeiro em Portugal entre 2012 e 2024 demonstra uma contração estrutural continuada, marcada pelo fecho de mais de metade da rede de bancos e caixas económicas, que decresceram de 5571 para 2751 unidades.

Este processo de racionalização estendeu-se às empresas de seguros, que reduziram os seus pontos de presença de 640 para 443, e às caixas de crédito agrícola, que passaram de 740 para 648 estabelecimentos, reflectindo a transição para um modelo de negócio mais digital e centralizado.

O sector financeiro e de seguros em Portugal atravessou uma transformação profunda entre 2012 e 2024, caracterizada pela troca da presença física por especialização técnica.

Enquanto a rede de estabelecimentos bancários sofreu uma redução drástica de mais de 50%, passando de 5571 para 2751 unidades (ver gráfico acima), o pessoal ao serviço nestes locais também se reduziu mas em menor proporção e se estabilizou em torno das 43.496 pessoas, indicando uma maior concentração de recursos por ponto de venda e mantendo uma relevância estratégica crescente na economia nacional.

Em Novembro de 2025, o sector das finanças regista uma remuneração de 3.250€, um valor que se destaca por ser 70% superior à média nacional de 1.877€, reafirmando a posição das actividades financeiras no topo da hierarquia salarial em Portugal.

No entanto, a remuneração do sector apresenta uma alta volatilidade sazonal.

Nos últimos 10 anos, a remuneração nas finanças cresceu 24%, um desempenho que representa menos de metade do crescimento de 53% observado na remuneração geral do País.

No último ano, teve um aumento de 2,6% e de 1,3% no último mês.

Dados de registos
Desemprego registado

Com apenas 2022 pessoas inscritas nos Centros de Emprego, o sector representa uma parcela residual de 0,8% do desemprego total em Portugal, o que demonstra uma elevada capacidade de absorção de mão-de-obra e retenção de talentos. Esta dinâmica é evidenciada pela redução mensal de 1% e, de forma mais expressiva, pela queda homóloga de 9,4%.

Ao observar a linha de tendência do gráfico desde Janeiro de 2022, nota-se que o sector conseguiu baixar o número de desempregados face ao pico inicial de 2768 pessoas, apesar da volatilidade pontual e de ligeiros aumentos sazonais registados no início de cada ano.

A distribuição geográfica do desemprego registado no sector financeiro revela uma concentração nos grandes polos económicos do País, com Lisboa a liderar em termos absolutos, apresentando 911 desempregados em Dezembro de 2025. Mesmo assim, este valor apenas representa 1% do total de inscritos naquela região. Segue-se a região Norte, com 735 indivíduos (0,7% do desemprego regional), e o Centro, com 252 pessoas. Em contraste, as regiões do Algarve, Alentejo e as ilhas apresentam valores residuais, com a Madeira e os Açores a registarem apenas 28 e 19 desempregados, respectivamente.

Destaques do sector Financeiro

O sector financeiro manteve uma quota estável de 2,1% do emprego total em Portugal em 2024. No 3.° trimestre de 2025, o número de profissionais situou-se em 113,4 mil, apesar de uma ligeira quebra homóloga de 1,3%.

O sector financeiro caracteriza-se por uma maior feminização face à média nacional, com as mulheres a representarem quase 54% do emprego no sector (61 mil pessoas) e os homens 46% (52 mil pessoas) no 3Q 2025.

O sector de finanças está formado pelas actividades de serviços financeiros (70,3%); as de seguros, resseguros e fundos de pensões (17,5%) e as auxiliares de serviços financeiros (12,3%).

No 3.° trimestre de 2025, a estrutura do emprego no sector mostra uma predominância de especialistas das actividades intelectuais e científicas (42,9%) e técnicos e profissionais de nível intermédio (28,8%).

A evolução do número de estabelecimentos no sector financeiro entre 2012 e 2024 demonstra uma contração continuada, marcada pelo fecho de mais de metade da rede de bancos e caixas económicas, que decresceram de 5571 para 2751 unidades.

Em Novembro de 2025, o sector das finanças regista uma remuneração de 2.596€, um valor que se destaca por ser 60% superior à média nacional. No entanto, a remuneração do sector apresenta uma alta volatilidade sazonal.

Com apenas 2022 pessoas inscritas nos Centros de Emprego, o sector representa uma parcela de 0,8% do desemprego total em Portugal. Esta dinâmica é evidenciada pela queda mensal de 1% e homóloga de 9,4%.

A distribuição geográfica do desemprego registado no sector financeiro revela uma concentração nos polos económicos do País, com Lisboa a liderar, apresentando 911 desempregados em Dezembro de 2025.

Consulte este estudo completo e outros no site da Randstad Portugal em www.randstad.pt/randstad-research/

Artigo publicado na Revista Executive Digest n.º 242 de Maio de 2026

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