Surto de hantavírus no cruzeiro ‘MV Hondius’ já levou ao rastreio de mais de 440 pessoas em 30 países

O ‘MV Hondius’ chegou esta semana a Roterdão, nos Países Baixos, onde tripulantes foram colocados em quarentena e o navio submetido a procedimentos de desinfeção

Francisco Laranjeira

As autoridades de saúde continuam a procurar contactos ligados ao surto de hantavírus detetado no navio ‘MV Hondius’, com mais de 440 pessoas já identificadas em pelo menos 30 países e territórios, avança o ‘El Confidencial’. Em Espanha, há 15 pessoas sob vigilância sanitária ou em quarentena associadas ao caso.

Os dados constam do mais recente relatório de situação do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências Sanitárias espanhol, CCAES, que aponta para 11 casos ligados ao surto: nove confirmados por laboratório e dois prováveis. Até agora, foram registadas três mortes, duas confirmadas e uma provável, segundo o mesmo relatório citado pelo jornal espanhol. O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças confirma que, a 19 de maio, há 11 casos reportados, nove confirmados e dois prováveis, associados ao vírus Andes.

Entre os infetados, duas pessoas permanecem hospitalizadas em estado grave, uma em França e outra em Joanesburgo. As datas de início dos sintomas variam entre 6 de abril e 14 de maio, dia em que um passageiro canadiano e a sua companheira, evacuados do navio em Tenerife, começaram a apresentar sintomas ligeiros. Um dos testes deu positivo e o outro negativo, segundo a informação citada pelo ‘El Confidencial’.

Um dos casos confirmados é o de um homem de 70 anos que seguia a bordo do ‘MV Hondius’ e que se encontra desde a semana passada na Unidade de Isolamento e Tratamento de Alto Nível do Hospital Gómez Ulla, em Madrid. Outros 13 passageiros do navio, também em Espanha, voltaram a testar negativo num novo PCR realizado esta semana.

Há ainda dois contactos em Espanha, duas mulheres de Barcelona e Alicante, que partilharam um voo de Joanesburgo para os Países Baixos com uma das pessoas que morreu. De acordo com o relatório citado pelo ‘El Confidencial’, os quatro testes PCR realizados a estas duas mulheres deram resultado negativo.

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O CCAES garante que todos os contactos estão a ser acompanhados por profissionais qualificados e protegidos. O sistema de saúde espanhol considera-se preparado para fazer diagnóstico laboratorial através do Centro Nacional de Microbiologia e para tratar os casos com segurança, de forma a evitar transmissões secundárias.

Neste momento, as autoridades espanholas sublinham que a única via de transmissão possível em Espanha seria o contacto direto com casos confirmados que apresentem sintomas. Mesmo assim, o risco é considerado muito baixo, uma vez que os profissionais de saúde que acompanham estas pessoas estão a aplicar as precauções necessárias.

Fora do ambiente hospitalar onde os contactos estão isolados, o risco para a população espanhola é classificado como extremamente baixo. A razão é dupla: o rastreio de contactos está a ser feito de forma exaustiva a nível nacional e internacional, e o vírus Andes não se transmite de forma comparável a vírus respiratórios como o da Covid-19.

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A Organização Mundial da Saúde já tinha indicado que o surto ligado ao ‘MV Hondius’ envolve um grupo de casos em vários países, com rastreio internacional através dos canais do Regulamento Sanitário Internacional. A OMS referiu que, a 13 de maio, tinham sido comunicados 11 casos e três mortes, com os pontos focais nacionais a apoiar a identificação e monitorização dos contactos.

As autoridades espanholas descartam também a possibilidade de transmissão do hantavírus Andes através de roedores ou das suas fezes em Espanha, uma vez que os roedores que transmitem esta variante não estão presentes no território espanhol.

A hipótese mais provável neste momento é que alguns passageiros tenham sido expostos ao hantavírus durante a estadia na Argentina, antes de embarcarem, provavelmente através do ambiente, numa região onde a doença é endémica. Posteriormente, terão transmitido o vírus a outros passageiros durante a viagem.

Esta hipótese é reforçada pelas análises genéticas realizadas, que mostram um elevado grau de semelhança entre as amostras dos casos confirmados estudados. O ECDC identifica o agente como vírus Andes, uma variante de hantavírus associada à Argentina e ao Chile e que, em determinadas circunstâncias, pode permitir transmissão entre pessoas.

O ‘MV Hondius’ chegou esta semana a Roterdão, nos Países Baixos, onde tripulantes foram colocados em quarentena e o navio submetido a procedimentos de desinfeção. A ‘Reuters’ noticiou que o cruzeiro tinha cerca de 150 passageiros e tripulantes de 23 países e que o surto foi comunicado à OMS no início de maio, depois da deteção de casos respiratórios graves a bordo.

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Apesar da dimensão internacional do rastreio, as autoridades insistem que o risco para a população em geral é baixo. A prioridade continua a ser identificar todos os contactos, manter a vigilância durante o período de incubação e garantir tratamento seguro dos casos confirmados ou suspeitos.

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