Um promotor imobiliário milionário que reclamava mais de 2 milhões de libras, cerca de 2,31 milhões de euros, depois de o seu McLaren P1 de edição limitada ter ficado destruído num incêndio viu o processo ser rejeitado por um juiz do High Court, no Reino Unido, avança o ‘The Independent’.
David Kyte sofreu queimaduras na cabeça e no rosto quando o carro, pelo qual tinha pago mais de um milhão de libras, cerca de 1,15 milhões de euros, se incendiou numa estrada perto do aeroporto de Heathrow, em outubro de 2017.
O empresário, residente em Kingston-upon-Thames, conseguiu sair do veículo em segurança, mas o McLaren P1 Coupé 3.8 V8, com 903 cavalos e velocidade máxima de cerca de 349 km/h, ficou totalmente destruído pelas chamas.
Depois do incêndio, Kyte avançou com uma ação no High Court contra a McLaren Automotive Limited e contra a Stratstone Sports Cars Limited, reclamando cerca de 2,42 milhões de euros em indemnização.
O empresário responsabilizava a McLaren, que tinha reconstruído o carro após um acidente anterior, e a Stratstone, que realizou trabalhos de manutenção, assistência e reparação em diferentes momentos. No entanto, o juiz Justice Eyre rejeitou o processo após pedidos apresentados pelas duas empresas.
Na decisão, o magistrado considerou que Kyte não especificou adequadamente as acusações contra a McLaren e a Stratstone, classificando algumas alegações como “irremediavelmente vagas”.
O tribunal ouviu que Kyte, cuja fortuna foi avaliada em cerca de 51,9 milhões de euros, em 2008, comprou o McLaren P1 à Stratstone em maio de 2015 por cerca de 1,19 milhões de euros. O empresário alegava que, no momento em que ficou destruído, o carro valeria 2,1 milhões de libras.
O P1 combina um motor V8 biturbo de 3,8 litros com um motor elétrico, produzindo uma potência total de 903 cavalos. O modelo é capaz de acelerar dos 0 aos 60 milhas por hora, cerca de 97 km/h, em apenas 2,8 segundos.
Após um acidente anterior, em junho de 2015, Kyte contratou a McLaren para reconstruir o veículo, que, segundo alegou, deveria passar a ser essencialmente um carro “novo”. Depois disso, a Stratstone realizou trabalhos de manutenção e assistência em várias ocasiões.
O carro acabou por ficar completamente destruído quando se incendiou, em 20 de outubro de 2017, enquanto era conduzido pelo proprietário. Kyte sustentava que o fogo terá provavelmente sido causado por uma fuga de fluido inflamável ou pela ignição de componentes combustíveis no interior do veículo, algo que, defendia, não deveria ter acontecido.
Antes de o caso chegar a julgamento, a McLaren e a Stratstone pediram que a ação fosse rejeitada devido a falhas na forma como a acusação tinha sido apresentada. Os advogados das empresas argumentaram que Kyte não expôs os factos essenciais necessários para sustentar a causa de pedir e que as alegações eram insuficientemente claras para permitir às empresas perceber que caso tinham de responder.
O juiz deu razão às duas empresas. Na decisão, afirmou que Kyte teria de ter identificado um defeito relevante, explicado de que forma esse defeito causou o incêndio e demonstrado como uma ação ou omissão da McLaren ou da Stratstone teria provocado esse problema.
“Não é suficiente que o autor alegue simplesmente uma causa potencial para o incêndio”, afirmou o juiz, citado pelo ‘The Independent’. “Tem de ir mais longe e explicar a base para dizer que essa causa foi consequência de uma violação contratual ou de negligência por parte do réu em questão.”
O magistrado acrescentou que uma ação devidamente apresentada teria de especificar em que aspetos o veículo era considerado inseguro depois dos trabalhos realizados.
Kyte tentou apoiar-se numa doutrina jurídica segundo a qual o próprio incêndio poderia ser visto como indício de negligência. No entanto, o juiz considerou que isso não resolvia as falhas existentes nos documentos da ação.
O tribunal sublinhou ainda o tempo já decorrido: dois anos desde o início do processo, mais de oito anos e meio desde o incêndio, mais de nove anos desde os últimos trabalhos realizados pela Stratstone e dez anos e meio desde que a McLaren concluiu a reconstrução e devolveu o carro ao proprietário.
“Nestas circunstâncias, é demasiado tarde para dar ao autor uma nova oportunidade de apresentar uma ação devidamente especificada”, concluiu o juiz.
Com esta decisão, os pedidos da McLaren e da Stratstone foram aceites e a ação de David Kyte foi rejeitada, deixando o empresário sem indemnização pelo incêndio que destruiu o superdesportivo de edição limitada.













