A China negou que o presidente Xi Jinping tenha dito a Donald Trump que Vladimir Putin se arrependeria da invasão da Ucrânia, durante conversações alargadas realizadas em Pequim na semana passada, noticia o ‘The Independent’.
A reação surgiu depois de uma notícia do ‘Financial Times’ ter atribuído essas declarações ao líder chinês, poucas horas antes da chegada de Putin à capital chinesa para uma cimeira de dois dias com Xi Jinping.
Questionado sobre a alegada conversa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, rejeitou categoricamente o relato.
“As informações que mencionou não correspondem aos factos e são completamente inventadas”, afirmou o porta-voz, citado pelo ‘The Independent’.
De acordo com os relatos, Xi teria feito os comentários durante reuniões entre as delegações dos Estados Unidos e da China, em Pequim. Nessas conversações, Trump terá sugerido que os três líderes — dos EUA, China e Rússia — deveriam cooperar contra o Tribunal Penal Internacional.
A negação de Pequim surge num momento particularmente sensível das relações entre China, Rússia e Estados Unidos. A visita de Putin à China pretende reforçar a coordenação estratégica entre Moscovo e Pequim, numa altura em que a guerra na Ucrânia continua a condicionar a diplomacia internacional e a relação da Rússia com o Ocidente.
Antes da chegada a Pequim, Putin afirmou que a Rússia e a China estão preparadas para se apoiar mutuamente em várias matérias, incluindo a unidade nacional e a proteção da soberania.
A cimeira deverá incluir também discussões sobre energia, nomeadamente o projeto do gasoduto Força da Sibéria 2. Segundo o Kremlin, a infraestrutura poderá, no futuro, transportar até mais 50 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano dos campos do Ártico russo para a China, através da Mongólia.
O projeto é estratégico para Moscovo, que procura reforçar as exportações energéticas para a Ásia depois da quebra nas relações com a Europa. Para Pequim, a ligação poderá representar uma fonte adicional de abastecimento energético, num quadro de crescente proximidade económica e política com a Rússia.
Apesar da negação chinesa, a polémica expõe a delicadeza do equilíbrio diplomático de Pequim. A China tem mantido uma relação próxima com Moscovo, mas procura simultaneamente preservar margem de manobra nas relações com Washington e evitar ser apresentada como parte direta no conflito na Ucrânia.
A chegada de Putin a Pequim, imediatamente após a divulgação e desmentido da alegada conversa entre Xi e Trump, reforça a atenção internacional sobre os sinais públicos e privados da relação entre os três líderes.



