“Completamente inventadas”: China nega que Xi tenha dito a Trump que Putin se iria arrepender da invasão da Ucrânia

Reação surgiu depois de uma notícia do ‘Financial Times’ ter atribuído essas declarações ao líder chinês, poucas horas antes da chegada de Putin à capital chinesa para uma cimeira de dois dias com Xi Jinping

Francisco Laranjeira

A China negou que o presidente Xi Jinping tenha dito a Donald Trump que Vladimir Putin se arrependeria da invasão da Ucrânia, durante conversações alargadas realizadas em Pequim na semana passada, noticia o ‘The Independent’.

A reação surgiu depois de uma notícia do ‘Financial Times’ ter atribuído essas declarações ao líder chinês, poucas horas antes da chegada de Putin à capital chinesa para uma cimeira de dois dias com Xi Jinping.

Questionado sobre a alegada conversa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, rejeitou categoricamente o relato.

“As informações que mencionou não correspondem aos factos e são completamente inventadas”, afirmou o porta-voz, citado pelo ‘The Independent’.

De acordo com os relatos, Xi teria feito os comentários durante reuniões entre as delegações dos Estados Unidos e da China, em Pequim. Nessas conversações, Trump terá sugerido que os três líderes — dos EUA, China e Rússia — deveriam cooperar contra o Tribunal Penal Internacional.

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A negação de Pequim surge num momento particularmente sensível das relações entre China, Rússia e Estados Unidos. A visita de Putin à China pretende reforçar a coordenação estratégica entre Moscovo e Pequim, numa altura em que a guerra na Ucrânia continua a condicionar a diplomacia internacional e a relação da Rússia com o Ocidente.

Antes da chegada a Pequim, Putin afirmou que a Rússia e a China estão preparadas para se apoiar mutuamente em várias matérias, incluindo a unidade nacional e a proteção da soberania.

A cimeira deverá incluir também discussões sobre energia, nomeadamente o projeto do gasoduto Força da Sibéria 2. Segundo o Kremlin, a infraestrutura poderá, no futuro, transportar até mais 50 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano dos campos do Ártico russo para a China, através da Mongólia.

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O projeto é estratégico para Moscovo, que procura reforçar as exportações energéticas para a Ásia depois da quebra nas relações com a Europa. Para Pequim, a ligação poderá representar uma fonte adicional de abastecimento energético, num quadro de crescente proximidade económica e política com a Rússia.

Apesar da negação chinesa, a polémica expõe a delicadeza do equilíbrio diplomático de Pequim. A China tem mantido uma relação próxima com Moscovo, mas procura simultaneamente preservar margem de manobra nas relações com Washington e evitar ser apresentada como parte direta no conflito na Ucrânia.

A chegada de Putin a Pequim, imediatamente após a divulgação e desmentido da alegada conversa entre Xi e Trump, reforça a atenção internacional sobre os sinais públicos e privados da relação entre os três líderes.

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